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A SALA DE SAPATILHAS DO NEW YORK CITY BALLET

A SALA DE SAPATILHAS DO NEW YORK CITY BALLET

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A SALA DE SAPATILHAS DO NEW YORK CITY BALLET

A sapatilha de ballet é elemento fundamental para a dança do ballet clássico e muitos dos bailarinos a considera, praticamente, uma extensão do próprio corpo, dando a ilusão de que a dança na ponta dos pés é algo natural ao ser humano. Além disso, a sapatilha influencia diretamente o desempenho da bailarina: se o sapato não for o correto, a bailarina não consegue fazer o seu trabalho da melhor forma.

Por isso, nas grandes companhias de ballet, o cuidado com os calçados se torna algo de extrema importância. O New York City Ballet, por exemplo, tem um espaço, no porão do David H. Koch Theater, no Lincoln Center, destinado a abrigar cerca de seis mil pares de sapatilhas de ponta, cuidadosamente empilhadas em prateleiras que chegam até o teto.

Apesar de escondida do grande público, essa sala de sapatilhas do New York City Ballet é um dos lugares mais importantes para os membros da companhia. É lá que os bailarinos, frequentemente, vão para procurar o par ideal para suas performances especiais. Alguns também tem a chance de encomendar sapatilhas feitas sob medida, que na maior das vezes são fabricadas por artesãos ingleses e importadas de Londres.

Segundo a supervisora do setor de calçados e ex-diretora do Ballet Northwest, Linnette Roe, as dançarinas de NYCB passam por 9.000 a 11.000 pares de sapatos por ano- incluindo sapatos baixos, tênis, sapatos de jazz e sapatos de personagens. A empresa tem um orçamento anual de cerca de U$780mil destinado aos calçados.

Todas as bailarinas da companhia recebem uma coluna vertical de prateleiras para seus sapatos de ponta, que são mantidos em sacos plásticos para (acreditem ou não) serem protegidos de insetos.

Sem limites de pares de sapatos que podem pedir, cada bailarina tem um “arquivo de sapato”, com planilhas detalhando todas as mudanças que fizeram nas suas encomendas ao longo do tempo. “Algumas bailarinas consertam constantemente – subindo ou descendo um quarto do tamanho, experimentando novos fabricantes, removendo os pinos do calcanhar”, diz Linnete Roe em reportagem ao Dance Spirit. E ela ainda conta que solicitação de personalização mais comum é ajustar a altura do cetim nas laterais dos sapatos.

Curiosamente, a cada ano, as bailarinas usam de 500 a 800 pares de sapatilhas em O Quebra Nozes, mas essa montagem não é a que mais gasta sapatos. “Em duas semanas de O Lago dos Cisnes usam mais sapatos do que seis semanas de O Quebra Nozes” diz Roe. “São todas da companhia em ponta durante todo o espetáculo”.

Imagina, bailarinas, ter uma infinidade de sapatilhas de pontas para escolher? Incrível!!

 

Foto: Tess Mayer

PLAYLIST- BALLET CLÁSSICO INICIANTE

PLAYLIST- BALLET CLÁSSICO INICIANTE

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PLAYLIST- BALLET CLÁSSICO INICIANTE

Como já falei aqui antes, a música é fundamental para o ballet. Pensando nas pessoas que estão começando agora nesse universo do ballet clássico, eu criei essa playlist para adulto iniciante. Bom, o que diferencia uma aula de ballet clássico iniciante de uma aula para uma turma mais adiantada? Basicamente a quantidade de exercícios dados em aula! As turmas iniciantes fazem menos sequências e a aula é mais curta, durando normalmente 60 min, enquanto as intermediárias têm 1h30 de duração. E as profissionais vão de 1h45 a 2h de treino.

Além disso, para as aulas de ballet clássico iniciante as músicas são, normalmente, mais lentas, com os compassos mais marcados e definidos. Isso porque no início da prática do ballet é muito difícil de sincronizar a música com o movimento. Se a música tiver muitas notas e for muito dedilhada fica difícil pra quem esta iniciando perceber os tempos: quando abrir ou fechar as pernas; quando dobrar ou esticar o joelho… Então as músicas são mais marcadas.

Para começar a aula, coloquei uma música de aquecimento que pode ou não ser feito de frente para a barra. Mas, depois, para as próximas sequências é necessário ir à barra. Isso porque, no ballet clássico iniciante, é importante ter, em muitos dos passos, as duas mãos apoiadas na barra, ficando mais fácil de desenvolver a consciência da postura corporal (alinhamento entre quadril e os ombros em forma de um quadrado) que o ballet exige.

Depois eu acrescentei duas opções de músicas para battement tendu (uma mais lenta para fazer a sequência mais marcada e depois uma mais rápida). Em seguida, coloco duas versões (mesma proposta de uma lenta e outra rápida) de battement jeté. Eu gosto de colocar depois dos battement jetés, exercícios de relevés para fortalecer os tornozelos, para ser uma sequência um pouco mais de força e equilíbrio, antes de ir para os rond de jambes. Nos Rond de jambes, eu escolhi um tempo lento de música, bem marcado para conseguir, aos poucos, entrar nessa sequência que exige tantas rotações de perna para fora.

Interessante que a próxima música que eu escolhi é uma de battement sur le cou-de-pied. Inicialmente, pode parecer um pouco esquisito porque normalmente os battement sur le cou-de-pied são ensinados depois dos fondus e frappés. Apesar de ser uma música com um ritmo mais acelerado, no ballet iniciante, eu gosto de ensinar esse movimento com pausas para realmente aprender a posição do pé do cou-de-pied, que será fundamental para fazer o battemend fondu e o frappé.

Em seguida, ainda na barra, vem o fondu e o frappé. Depois, uma música com tempo bem lento para o Adagio, para movimentos lentos e ligados. Para finalizar os movimentos na barra, uma trilha para o grand battement também bem marcada e definida para não gerar confusão na execução.

Como é necessário ter uma sólida na barra e uma segurança maior antes de ir para o centro, no ballet iniciante a parte dos exercícios no centro é mais curta. Então, a gente não faz todos os exercícios de uma aula completa no centro.

Para começar no centro, eu gosto de dar battement tendu para sentir o corpo, o equilíbrio. Depois um adagio que eu gosto de mostrar bastante as posições do braço, sem a barra, a posição do corpo em relação ao espaço. Dou também bastante Port de Bras nesse adagio do ballet iniciante.

 Depois gosto de dar exercícios de relevés variando entre com as duas pernas e uma só, por ser o primeiro momento que eles começam a fazer exercícios fora da barra de equilíbrio na meia ponta. Com o tempo esses relevés podem virar piruetas, pequenos giros, mas sempre no centro da sala, sem ir para a diagonal (como é feito nas aulas mais adiantadas).

Em seguida eu dou um pouco mais de salto. Em um petit allegro, eu gosto de repetir a sequência que dei no relevé mas agora com saltos. Por exemplo, na primeira posição eu dei plié- relevé- plié- relevé, e na hora dos saltos eu vou dar plié-sauté-plié-sauté, que é um desdobramento do relevé.

Depois do petit Allegro, eu dou uma outra opção de Petit Allegro um pouco mais rápido. E, por fim, a Révérence que é a finalização da aula, o agradecimento, como faço em todas as aulas.

Acho interessante destacar que na aula iniciante o único salto que a gente faz é o petit allegro. Eu não gosto de dar logo no princípio os médios saltos e os grandes saltos, porque acho importante solidificar bem o aprendizado nos petit allegros para depois, aos poucos, ir evoluindo para os médios e grandes, que ficam para as turmas mais adiantadas.

Espero que tenham gostado! E fiquem ligados aqui que em breve vou dando mais dicas de aulas.

Balé da Cidade dança Caetano

BALÉ DA CIDADE DANÇA CAETANO

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BALÉ DA CIDADE DANÇA CAETANO

Agora em 2018, o Balé da Cidade de São Paulo completa 50 anos de sua criação e a companhia escolheu a obra de Caetano Veloso para inspirar o primeiro espetáculo dessa temporada comemorativa, “Um Jeito de Corpo- Balé da Cidade Dança Caetano”, que estreou no Teatro Municipal na última quinta-feira (15/03).

Depois de ter suas obras traduzidas e interpretadas por diversos artistas, Caetano Veloso empresta seu universo musical e suas referências- filmes de Fellini e Almodóvar, movimentos como a Tropicália e temas como sexo e negritude- ao mundo da dança. A produção tem coreografia assinada por Morena Nascimento, brasileira radicada na Alemanha (ex-integrante da companhia alemã Tanz Theater Wuppertal, de Pina Bausch), que foi convidada especialmente pelo diretor artístico do Balé da Cidade, Ismael Ivo.

O espetáculo tem direção musical do músico e historiador Cacá Machado e dramaturgia de Vadim Nikitin. Um outro destaque é o figurino criado pela Isadora Gallas, que é todo composto por um “não tecido”, tradicionalmente usado nas roupas de proteção de operários industriais, expostos a riscos químicos. Durante o espetáculo, as peças são infladas no ar e se transformam em telas para projeção de imagens no corpo dos bailarinos. Incrível!

Criado em 1968, o Balé da Cidade de São Paulo (inicialmente conhecido como Corpo de Baile Municipal) tinha uma proposta de acompanhar as óperas do Teatro Municipal e se apresentar com obras do repertório clássico. No entanto, em 1974, sob a direção artística de Antonio Carlos Cardoso, a companhia passou a seguir o perfil mais contemporânea que mantém até os dias atuais.

Durante esses 50 anos de história, a companhia se destacou pela inovação de movimento, criação de novas expressões artísticas e rigor técnico, originando grandes sucessos no cenário nacional e internacional.

Claro que o espetáculo “Um Jeito de Corpo- Balé da Cidade Dança Caetano” já é sucesso! Eu ainda não tenho ingressos, mas quero muito assistir! As apresentações vão até dia 25/03, então ainda temos chance de ver de perto essa linda homenagem!!

Você consegue mais informações aqui: http://theatromunicipal.org.br/programacao/um-jeito-de-corpo/

foto: Rodrigo Fonseca

CURSO DO JOFFREY BALLET SCHOOL NO BRASIL

CURSO DO JOFFREY BALLET SCHOOL NO BRASIL

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CURSO DO BALLET SCHOOL NO BRASIL

Em 2016, eu dei uma aula no Joffrey Ballet School, em Nova York, e fiquei encantada com a estrutura e metodologia deles. Incrível! Agora, pela primeira vez, o Joffrey Ballet School trará ao Brasil seu programa intensivo de verão (o mesmo dado lá nos EUA) e ficará mais fácil da gente ter uma provinha do que eles fazem por lá.

Entre 26 e 31 de março, os professores da escola de Nova York vão estar aqui em São Paulo para dar um curso completo com aulas de ballet, pontas, variação, jazz, contemporâneo, teatro musical e consciência corporal. Os alunos terão, em média, 4 aulas diárias durante seis dias intensivos e no final do programa ainda terão a oportunidade de participar de um pequeno espetáculo.

Vanguarda do ensino da dança americana, o Joffrey Ballet School, localizada em Nova York, foi fundada em 1953 por Robert Joffrey e Gerald Arpino com o objetivo de desenvolver e treinar bailarinos profissionais. A escola tem um currículo exclusivo que une um treinamento sério de ballet clássico e contemporâneo, além de outras formas de dança como jazz, moderno, contemporâneo, hip-hop, dramaturgia e muito mais.

Desde sua criação, o Joffrey Ballet School mantém a ideia de, através de um treinamento intensivo, conseguir desconstruir a dança para permitir que os dançarinos aperfeiçoem sua técnica e forma. A escola tem a preocupação de criar artistas completos e versáteis, porém sem perder a individualidade de cada um. O trabalho deles ainda vai além disso, incorporando em seu currículo noções de anatomia e fisiologia humana.

Inovador, o Joffrey Ballet School foi o primeiro a sancionar a música rock em uma companhia de ballet, começando com seu pioneiro “Astarte”, em 1967, e depois com “Billboards” para a música do Prince. Com coreografias que mesclavam livremente o ballet com a dança moderna, a companhia logo ganhou fama.
 Durante a década de 1960, estudantes talentosos e profissionais de renome mundial (tanto do ballet clássico quanto da dança moderna), como Rudolf Nureyev, Erik Bruhn, Carmen De Lavallade e Yvonne Rainer, frequentaram o Joffrey Ballet School.

Se ficou interessada, você consegue mais informações e inscrições por aqui: www.mostradanca.com ou www.summer.joffreyballetschool.com/brazil. Tem também opção de fazer menos dias ou só o ballet (consultar  11 98823-0212 e dizer que viu o post aqui).

Eu fui convidada para participar e já estou ansiosa! Espero encontrar vocês lá =)

 

Foto: site oficial Joffrey Ballet School

Svetlana Zakharova, a rainha do Bolshoi

SVETLANA ZAKHAROVA, A ESTRELA DO BOLSHOI

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SVETLANA ZAKHAROVA, A ESTRELA DO BOLSHOI

”Svetlana Zakharova é algo impossível de alcançar” é como a bailarina ucraniana é definida em matéria do portal Evening Standard.

Principal bailarina do Ballet Bolshoi desde 2003, Svetlana Zakharova é considerada por críticos e coreógrafos como um fenômeno único no mundo do ballet clássico e contemporâneo.

Com uma alta versatilidade e poder de dominar qualquer estilo e tendência do ballet, Svetlana se destaca por suas interpretações tão únicas e pessoais, que vão do romântico ao contemporâneo. Deixando sua marca em todos os ballets mais conhecidos do mundo, a bailarina já interpretou papeis de clássicos como Gisele, Cármen, Cinderela e Lago dos Cisnes, além de trabalhos mais modernos como Serenade, Apollo e Now and Then.

Porém, sua paixão pelo ballet não começou muito cedo. Na mesma entrevista ao portal britânico, a bailarina lembra que nunca foi daquelas meninas que já gostavam de fazer pliés no parquinho desde muito pequenas.

Nascida em 1979, em Lutsk, na Ucrânia, Svetlana, filha de uma coreógrafa e um servente, ingressou na Escola de Coreografia de Kiev aos 10 anos, mas desejava os feriados. Quando ia para casa, primeira coisa que queria fazer era brincar com suas bonecas e esquecer as aulas. Mas a experiência a determinou. “Aprendi a fazer tudo sozinha. Aos 10 anos, já era adulta” lembra a bailarina.
Svetlana só foi pensar no ballet seriamente mais pra frente. Aos 14 anos, ela percebeu que poderia dançar melhor que qualquer outra pessoa da sua turma. O que foi confirmado quando ganhou as melhores notas de uma comissão independente de jurados. E aos 17 anos, a bailarina se juntou ao Kirov Ballet (agora The Mariinsky), em São Petersburgo.

Foi o bailarino Mikhail Baryshnikov que a fez uma estrela. Ela sorri ao falar que ele é seu santo padroeiro.

Depois de uma noite de gala em Versailles, onde ela havia se apresentado com o Mariinsky, o diretor lhe disse que Mikhail Baryshnikov estava lá naquela noite e queria que ela soubesse o quanto ele a admirava. Um ano depois, a bailarina recebeu um telefonema do Paris Grand Opera a convidando para dançar La Bayadère.

“Após a estreia, Brigette Lefèvre [o diretor] me disse: ‘Você sabe por que eu convidei você? Porque Mikhail Baryshnikov me disse para ir a Versailles te ver dançar’. Depois de Paris, todos me conheciam e começaram a falar sobre mim” relembra a bailarina.

Aos 38 anos, a bailarina mais influente do Ballet Bolshoi ainda espera ter muitos anos de dança pela frente, mas entende que em algum momento terá que parar. “Eu apenas espero que meu futuro esteja conectado com esta arte, com a dança. O teatro é minha vida. E eu quero muito continuar fazendo o que eu amo” afirma Svetlana Zakharova.

Espero mesmo que sua carreira não termine tão cedo, afinal, com certeza, essa maravilhosa bailarina ainda tem muito o que contribuir para o universo da dança.

 

O incrível Kiev Ballet

O INCRÍVEL KIEV BALLET

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O INCRÍVEL KIEV BALLET

Na última semana, o incrível Kiev Ballet (também conhecido como Ballet da Ópera Nacional da Ucrânia) voltou ao Brasil em uma pequena turnê com apresentações de “Grande Gala”. Esse formato conta com menos bailarinos solistas para que o público possa ver melhor a qualidade técnica dos profissionais.

Considerada uma das cinco melhores companhias de ballet no mundo, o Kiev Ballet começou sua história em 1867, quando o governo (até então russo), após numerosas petições, decidiu criar uma companhia de ópera em Kiev, uma das cidades mais antigas da Europa e que futuramente viria a se tornar a capital e maior cidade da Ucrânia. O teatro musical foi o primeiro a ser inaugurado fora das capitais do império russo, Moscou e São Petersburgo.

A estreia da companhia aconteceu em novembro de 1867 com a encenação de Askold’s Grave, do Alexey Verstovsky, que acabou sendo um grande sucesso. Nos primeiros anos de existência, a companhia ampliou seu repertório com obras escritas principalmente por compositores russos, como Uma vida por Tsar e Ruslán e Ludmila. Porém, o grupo nunca deixou de lado os clássicos europeus e encenou também O Barbeiro de Sevilha de Rossini, The Marriage of Figaro de Mozart e diversas óperas de Verdi, que se tornou o compositor favorito da audiência do Kiev Ballet.

Com o tempo a companhia foi ganhando cada vez mais popularidade entre os amantes de ópera e chamou a atenção dos compositores, o que pode ser confirmado pelo grande interesse de P. Tchaikovsky em suas peças. De lá pra cá, o Kiev Ballet alcançou fama internacional e foi responsável por revelar ao mundo grandes estrelas como Vaslav Nijinsky e Serge Lifar, os dois bailarinos mais proeminentes do século 20.

Após o final da guerra, a companhia conseguiu superar rapidamente as dificuldades e renovou seu desempenho regular e ampliou o repertório. As óperas revisadas ucranianas e mundiais foram estreadas. Com isso, o Kiev Ballet evoluiu para um nível totalmente novo, sendo liderado por coreógrafos de renome – Sergiy Sergeev, Vakhtang Vromsky. O repertório foi expandido com várias peças novas – Lileya de K. Dankevych, Romeu e Julieta de S. Prokofiev e Spartacus de A. Khachaturyan.

Em 1964, o Kiev Ballet participou do Festival Internacional de Dança Clássica, que se realizou em Paris. A companhia foi homenageada com o mais alto prêmio da Paris Dance Academy – The Golden Star. A primeira turnê da companhia que aconteceu em Paris- que incluía estrelas como Mykola Aptukhin, Valentyna Kalynovska, Veanira Kruglova, Olena Potapova, Alla Havrylenko e Eleonora Stebliak- tornou-se um evento de arte que ressoou com toda a Europa. Desde os anos 50, a Ópera de Kiev tem um status de estrela.

Atualmente, a companhia conta em seu corpo de ballet com alguns dos maiores e mais premiados bailarinos do mundo, como a primeira bailarina da companhia, Tatiana Golyakova. Entre outros importantes nomes dessa arte como os solistas Stanislav Olshansky, Anastasia Shevchenko, Konstantin Pozharnytskyy, Maxim Kamishev e Tatiana Lozova.

O Grandioso Teatro Bolshoi

O GRANDIOSO TEATRO BOLSHOI

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           O GRANDIOSO TEATRO BOLSHOI

Quando se fala em ballet clássico é impossível deixar de lado a história do Bolshoi (que significa grande em russo). Maior e mais famosa companhia de ballet e ópera do mundo e palco de origem de grandes nomes como Tchaikovsky, Rachmaninov, Gorsky, Prokofiev, Grigorovich e Vasiliev, o Teatro Bolshoi é considerado patrimônio cultural da humanidade pela ONU e UNESCO.

A trajetória desse símbolo da Rússia começou lá em 1776 quando a Imperatriz Catherine II concedeu ao príncipe russo Pyotr Urusov o privilégio de organizar espetáculos por um período de dez anos, em Moscou. No entanto, devido ao alto investimento necessário, o príncipe decidiu dividir seu privilégio com seu parceiro inglês Russophile e o empreendedor teatral Michael Maddox.

O primeiro edifício para abrigar o teatro foi construído em 1780, sendo nomeado de Teatro Petrovsky (futuro teatro Bolshoi). Foi a partir dessa época que a companhia começou a solidificar seu nome na cena cultural russa. A apresentação de abertura foi do ballet The Magic School, produzido por Leopold Paradis com música de Joseph Starzer.

O edifício do Teatro Bolshoi, que até hoje é considerado um dos principais pontos turísticos de Moscou, foi inaugurado em 20 de outubro de 1856, no dia da coroação do czar Alexander II, com uma performance da ópera I Puritani de Vincenzo Bellini.

Até 1840, o Ballet Bolshoi só tinha permissão para apresentar espetáculos russos – a partir daquele ano, o czar permitiu a encenação de produções estrangeiras. Durante a segunda metade do século 19, a companhia encenou importantes espetáculos para a história da dança, como Dom Quixote (1869), criados pelo coreógrafo franco-russo Marius Petipa, considerado o “pai do ballet clássico”. O trabalho de Petipa ficou muito conhecido pela exigência técnica, além da intensidade dramática dos seus bailarinos.

No entanto, foi em 1900, com a entrada do russo Alexander Gorsky, que o Bolshoi criou uma identidade única. O novo mestre de ballet da escola deu um novo toque aos espetáculos de Petipa, como O Lago dos Cisnes e La Fille Mal Gardee. Em 1919, após a Revolução Russa, o local começou a ganhar mais incentivo do governo, passando a se chamar Academia Estatal Teatro Bolshoi. Nesse período, surgiram grandes estrelas do ballet como Leonid Lavrovsky, Anastasia Abramova e Sofia Golovkina.

Depois da morte de Stálin, o Ballet Bolshoi começou a fazer turnês internacionais, aumentando sua visibilidade e transformando a Rússia no berço do ballet mais importante do mundo até hoje. Hoje, com cerca de 1000 funcionários diretos, o Teatro Bolshoi de Moscou realiza 300 espetáculos por ano em diversos países e segue como referência na qualidade artística e na produção cultural. Curiosamente, a única filial fora da Rússia do Teatro Bolshoi fica em Joinville, aqui no Brasil e, atualmente, quatro brasileiros fazem parte do corpo de ballet do Bolshoi de Moscou, sendo três deles vindos da filial do Brasil: Bruna Gaglianone, Erick Swolkin e Mariana Gomes.

 

O BALLET QUE TRANSFORMA VIDAS

O BALLET QUE TRANSFORMA VIDAS

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O BALLET QUE TRANSFORMA VIDAS

Como já falei aqui antes, eu acredito que a arte, especialmente o ballet, pode ter o poder de transformar vidas. Hoje vou falar um pouco sobre um incrível trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes de diversas comunidades do Rio de Janeiro. Refiro-me ao projeto social Dançar a Vida, criado em 1999 por iniciativa da professora Nelma Darzi (diretora artística da Escola de Dança Petite Danse) em parceria com a Escola Municipal Barão de Itacuruçá.

Nelma relembra em entrevista dada a revista Veja Rio como tudo começou. Na época, ela comandava a Escola de Dança Petite Danse (no bairro da Tijuca), centro formador de bailarinos profissionais, e imaginava um forma de, por meio do ballet, trabalhar os potenciais das crianças das comunidades que viviam ao redor da escola. Foi desse desejo que nasceu o Dançar a Vida.

A partir da parceria com uma escola pública próxima, Nelma iniciou o processo seletivo dos 25 participantes da primeira turma. Os alunos escolhidos passavam a receber bolsa de estudo integral para o curso de formação profissional da Escola de Dança Petite Danse, além de assistência médica gratuita e apoio no ensino escolar. A diretora da escola onde o projeto começou sugeriu que o trabalho fosse feito com os alunos mais comportados e estudiosos, mas Nelma disse que preferiria desenvolver os mais problemáticos. “No fim do ano, as crianças tinham um comportamento muito diferente, estavam menos rebeldes e mais envolvidas com a família”, relembra.

Partindo desse princípio, o projeto Dançar a Vida decidiu investir em um programa educacional que visava desenvolver a técnica na dança, além de dar uma formação humana, trabalhando aspectos como disciplina, trabalho em equipe, solidariedade, estímulo ao conhecimento e integração de diferentes linguagens artísticas.

Atualmente, o projeto assiste a 170 crianças e adolescentes de diversas comunidades do Rio de Janeiro, nos bairros da Tijuca, Barra da Tijuca e localidades do seu entorno, onde encontram-se comunidades como o Morro da Formiga, Borel, Salgueiro, Tijuquinha, Rio das Pedras entre outros, vindos de diversas instituições de ensino público. Podem participar da iniciativa meninos e meninas entre 7 a 15 anos, desde que estejam matriculados na rede de ensino público.

Os alunos mais dedicados e que se destacaram no projeto ingressaram nas Companhias de Dança da Escola Petite Danse e alguns foram até encaminhados para grandes companhias profissionais no Brasil e no exterior. É o caso do Daniel Davidson, morador de Bangu, que mais tarde tornou-se solista na respeitada companhia americana San Francisco Ballet. Além das irmãs Mayara e Mayanie Magri: a primeira ingressou no projeto aos oito anos e hoje é solista no Royal Ballet (de Londres), enquanto a segunda vive em Stuttgart, na Alemanha, onde atua em uma grande companhia.

Além de ajudar os jovens a se desenvolverem no universo das artes, o projeto também mexe com a vida de seus familiares. Ao ver o sucesso das filhas, uma mãe, que por anos trabalhou como empregada doméstica, se motivou a voltar aos estudos. Um exemplo que comprova a força da arte como ferramenta de transformação social.

 

MINHA PLAYLIST DE BALLET CLÁSSICO

PLAYLIST- BALLET CLÁSSICO INTERMEDIÁRIO

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PLAYLIST- BALLET CLÁSSICO INTERMEDIÁRIO

Como já falei aqui anteriormente, a música é essencial para estruturar uma aula de ballet. Como sempre me pedem dicas sobre quais trilhas sonoras usar em aulas, fico muito feliz de compartilhar com vocês mais uma playlist que eu montei para uma aula completa de ballet clássico. Além de poder ser usada em aulas, essa seleção de música é uma ótima opção para treinar em casa ou rever detalhes perdidos de passos dados em aula. Espero que os professores e as bailarinas aproveitem!

Eu criei essa playlist pensando em uma aula de 1h30 para uma turma de ballet intermediário, já familiarizada com todos os exercícios obrigatórios da barra e do centro. Como eu não acrescentei algumas músicas específicas que são necessárias para outros passos mais avançados, eu não a indico para turmas de ballet profissional. Vamos lá?

Para começar, coloquei uma música de aquecimento e na sequência passei para uma faixa de plié. Para o battement tendu, fiz uma ampla seleção de músicas para que vocês, se quiserem, possam escolher uma ou mais. Afinal, tem gente que gosta de fazer mais de uma sequência! Ao longo da playlist, acrescentei também as músicas específicas para os outros passos obrigatórios da barra, como o battement jeté, rond jambé, battement fondu, battement frappé, rond jambé on l’air, adagio e grand battement.

Em seguida, escolhi algumas faixas que eu considero essenciais para exercícios de centro propostos em aulas de turmas intermediárias: um adagio, um battement tendu e um grand battement. Você pode mesclar também o battement tendu com o grand battement. Fica bem bacana! Na sequência, coloquei algumas músicas para relevés; uma valsa para diagonal com piruetas e algumas opções para pequenos saltos e médios saltos, que seriam exercícios de sissone.

Depois, coloquei a grande valsa, que é quando acontecem os big jumps, os passos maiores, as grandes posições de salto do ballet. Já na parte final, que seria uma coda, inseri uma música para fazer diagonal de giros, que é o que gosto de dar no final das aulas intermediárias. Por fim, a révérence, para agradecer, finalizar todas essas sequências e terminar a aula. Espero que vocês tenham gostado!

Sigam essa playlist no Spotify e deixem aqui nos comentários do post alguma outra playlist que vocês gostariam que eu fizesse ou alguma dúvida sobre essa seleção. Vou adorar saber a opinião de vocês!

Você sabe o que é o hiplet?

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DO HIPLET?

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VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DO HIPLET?

Como vocês bem sabem, eu sou completamente apaixonada por ballet, mas também sou fã de tudo que envolva o universo da dança. Por conta disso, acho o máximo quando surgem propostas como o hiplet, modalidade que mescla o ballet e o hip hop e que tem feito um tremendo sucesso nos Estados Unidos. Desenvolvida por Homer Hans Bryant, bailarino consagrado e diretor artístico e fundador do Centro de Dança Multicultural de Chicago, a dança foi criada em 2009, mas se transformou em um hit a partir de 2016, quando bailarinas do centro publicaram vários vídeos no Instagram que rapidamente se tornaram virais.

Posteriormente, o criador do método foi convidado a dar uma palestra no TEDx, as alunas começaram a aparecer nos principais programas de TV dos EUA e foram convidadas a fazer uma apresentação na Semana de Moda de Paris. O hiplet bombou tanto que ganhou adeptos famosos, como a cantora pop Lady Gaga e as filhas do ex-presidente estadunidense Barack Obana, Malia e Sasha Obama.

Ao criar o Hiplet, Bryant quis, inicialmente, incentivar mais crianças a estudar dança. Posteriormente, no entanto, o coreógrafo também se propôs a apresentar um olhar mais moderno e contemporâneo sobre o ballet e aproximar mais bailarinos negros do universo do ballet clássico. No hiplet, a ponta, um componente essencial do ballet, é utilizada com uma proposta, digamos, mais liberal. Ao som do hip hop e música pop, as bailarinas movimentam os quadris, dobram os joelhos e pulam na ponta balançando os braços para frente e para trás. Em resumo, o hiplet não busca a perfeição ou a ilusão do etéreo tão típicas do ballet, mas a beleza estética que os movimentos corporais, especialmente da parte inferior do corpo, produzem. E o resultado é lindo!  

Os mais tradicionais são contra o hiplet, criticam a sua proposta enquanto dança (dizem que ele não é nem ballet, nem hip hop) e afirmam que ele na contribui na inserção de bailarinos negros no ballet clássico (pelo contrário, só aumenta a segregação). Na minha visão, uma modalidade não se sobrepõe a outra. Há espaço para todas e todo mundo sai ganhando com a existência delas.