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PLAYLIST – BALLET FUNCIONAL

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PLAYLIST – BALLET FUNCIONAL 

Continuando a minha série de trilhas sonoras para usar em aulas, hoje eu vou compartilhar uma playlist especial para aulas de Ballet Funcional. Como o próprio nome já diz o enfoque deste tipo de aula é outro. Então a seleção de músicas também é diferente. Espero que gostem!

A playlist tem 55 minutos de música. As duas últimas faixas, mais lentas, são de alongamento. Eu gosto de mesclar umas músicas mais de batidas que têm o ritmo bem marcado, bem acentuado e bem definido. Este tipo de música é muito bacana por conta das diversas repetições que a aula de Ballet Funcional propõe.

Eu também gosto de pegar músicas cantadas que as alunas sabem a letra porque anima a aula – elas se identificam e ficam mais empolgadas. É uma aula pesada, uma aula de resistência, cansativa e a música acaba dando o tom da aula –  é o tchan! do negócio. Não só para as alunas mas para mim como professora também.

Então, é essencial escolher as músicas certas para ajudar a atingir os objetivos e dar a cara da aula. Eu gosto bastante desta playlist. Ela começa só com músicas marcadas com bastante saques com batidas. Depois tem umas músicas cantadas, umas mais atuais – até Madonna e Footloose – que sempre que tocam as alunas se empolgam muito. E termina com duas mais lentas para o alongamento final, eu sempre termino com o alongamento. Duas músicas que eu acho lindas. Espero que vocês usem e gostem!

 

BALLET DE REPERTÓRIO: DON QUIXOTE

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BALLET DE REPERTÓRIO: DON QUIXOTE

 

Dando continuidade à série sobre Ballet de Repertório, eu vou falar hoje sobre o Don Quixote que tive a oportunidade de dançar.  Ninguém tem dúvidas de que a obra de Miguel Cervantes é um clássico da literatura universal e influenciou artistas de diversas áreas. E não foi diferente com a dança.

Em 1860, o coreógrafo francês Marius Petipa encontrou na Rússia espaço para experimentar novas possibilidades técnicas e criativas, contando histórias que misturam o mundo real e o universo da fantasia. A novela espanhola era um prato cheio para as ambições do coreógrafo pelas cenas de ilusão de Don Quixote e o enredo dos enamorados Kitri e Basílio – impedidos de viver seu amor, pois a jovem fora prometida pelo seu pai, Lorenzo, ao rico comerciante Gamache.

O coreógrafo adaptou algumas partes do livro de Cervantes criando uma versão para o Ballet Imperial no Teatro Bolshoi. A montagem estreou em 1869 e os papéis principais foram dançados por Anna Sobeshenskaya, como Kitri e Sergei Sokolov, como Basílio.

Petipa, que conhecia muito bem a Espanha, procurou reviver o espírito do país, criando uma obra forte, cheia de heroísmo e romance, ao mesmo tempo alegre e colorida.  A produção foi um sucesso pelas influências hispânicas com ritmos mais soltos e descontraídos e até hoje é montada por companhias em todo o mundo com pequenas mudanças na coreografia e direção, mas respeitando a música virtuosa de Ludwig Minkus.

Foi o primeiro ballet completo de repertório que eu dancei. Quando a gente fala o primeiro ballet completo de repertório significa que são todos os atos do ballet.  No caso do Don Quixote, são três atos. Eu fazia a Kitri. Estudei muito a personagem, o seu estilo, para realmente caracterizar os passos e os movimentos com a sua personalidade. A Kitri é muito decidida, muito espevitada, com referências espanholas e passos com bastantes trejeitos e detalhes. Um dos pontos altos desta obra é sensualidade dos movimentos, uma característica até então rara no mundo do ballet.

Antes de começar os ensaios de coreografia propriamente dita, eu ensaiei bastante na frente do espelho as caras, as bocas, os olhares como se fosse um teatro mesmo, porque esse tipo de ballet exige do bailarino uma interpretação dramática. Assisti também muitas versões de Don Quixote, com artistas que eu admiro muito para ver qual linha eu ia seguir.  O vídeo que eu mais me inspirei foi da Cynthia Harvey com o Mikhail Baryshnikov.

Depois disso, eu comecei os ensaios dos passos pouco a pouco, ato por ato. Como é muita coreografia, são muitas horas de ballet, a gente vai bem aos poucos para aprender e decorar todos os movimentos. No primeiro ensaio eu achei que eu não ia dar conta, que eu não ia ter fôlego para dançar todos os atos, mas devagar e sempre, eu cheguei lá e deu tudo certo.

Foi uma experiência muito importante montar um clássico como esse, afinal essa obra não é uma prova apenas da genialidade de Cervantes, mas também de Marius Petipa. O coreógrafo mostrou que se pode fazer uma obra extremamente clássica justamente por inovar nos padrões.

Confira trechos de quando dancei o Don Quixote:

DIA INTERNACIONAL DA DANÇA

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DIA INTERNACIONAL DA DANÇA

No dia 29 de abril, neste domingo, é comemorado o Dia Internacional da Dança! Além de celebrar essa arte milenar, a data foi criada pelo Comitê Internacional de Dança da Unesco – do qual eu sou membro – com o intuito de incentivar o estudo da dança no sistema de educação, do ensino infantil ao superior.

A data foi escolhida em homenagem ao nascimento do bailarino, professor e ensaísta francês Jean-George Noverre (1727-1810). Conhecido por alguns como o Shakespeare da dança, ele revolucionou o ballet de seu tempo ao libertar os bailarinos de posições estereotipadas, de máscaras pesadas e de vestimentas que incomodavam e escondiam o corpo. Ao simplificar a execução dos passos e propor mais sutileza nos movimentos, Noverre exigia maior verdade e sensibilidade dos bailarinos. Foi o fim dos tempos do rococó, dos enfeites extravagantes, que segundo o coreógrafo, ocultavam as belas formas.

Através das técnicas da pantomima, o bailarino atribuiu maior expressividade aos passos privilegiando mãos, braços e feições para sensibilizar e emocionar. Uma de suas obras mais importantes é o livro Lettres sur la Danse at sur les Ballets, um conjunto de cartas onde expôs suas novas ideias sobre o ballet de ação e o movimento expressivo. Suas teorias se difundiram por vários lugares do mundo e influenciam artistas até hoje.

Por coincidência, aqui no Brasil, a data também pode ser associada ao aniversário da bailarina Marika Gidali que, com Décio Otero, criou o importante Ballet Stagium em 1971. A experiência da premiada bailarina se assemelha a de Noverre na constante busca por inovações.

Nascida na Hungria, antes do início da Segunda Guerra Mundial, Marika veio para o Brasil com sua família que estava fugindo do nazismo crescente na Europa. Quando chegou, aos 10 anos de idade, começou a praticar ballet no clube húngaro em São Paulo e nunca mais parou. Teve uma trajetória exemplar como bailarina, participando do corpo de baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, do Ballet do Teatro Cultura Artística e do Ballet IV Centenário.

Com a criação do Ballet Stagium, Marika procurou inaugurar no país uma nova forma de fazer e apreciar dança. Em constante trânsito entre tradição e ruptura, a bailarina estabeleceu uma estética própria e uma linguagem que propõe refletir o Brasil em sua complexidade social, histórica e cultural.

Carregado de tantas histórias, esse dia fica ainda mais especial. E não posso deixar, claro, de parabenizar todos os profissionais – bailarinos, coreógrafos, diretores, iluminadores, cenógrafos, figurinistas, fotógrafos e produtores – que assim como eu acreditam na importância da arte na vida das pessoas. Para mim, a dança tem um significado muito particular: é o alimento da alma que esculpe o movimento, a musicalidade da vida que cultiva a harmonia do ritmo com beleza.

Foto:  Emidio Luisi – Espetáculo “Batucada” – Ballet Stagium – Direção: Márika Gidali e Décio Otero.

O ballet na maior favela do mundo

O BALLET NA MAIOR FAVELA DO MUNDO

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O BALLET NA MAIOR FAVELA DO MUNDO

Como já falei aqui antes, eu amo ver o poder que a dança tem como agente transformador não só físico como também emocional e social. Conheci esse projeto incrível das organizações Anno’s Africa e One Fine Day que dá aulas de ballet em uma das maiores favelas do mundo, Kibera, comunidade localizada no Quênia, na África Oriental.

Uma vez por semana, a sala de aula da Spurgeons Academy– uma escola que acolhe principalmente crianças que ficaram órfãs por causa do HIV e lhes oferece, além da educação, a oportunidade de terem uma família de acolhimento- se transforma em um estúdio de ballet improvisado.

Todas às quartas-feiras, depois das aulas regulares, os próprios alunos e professores tiram todas as cadeiras e mesas e limpam o chão da sala de aula. A partir daí, o espaço- sem eletricidade, muito menos espelho ou barras específicas para a prática do ballet- virá vira sala de aula do professor e bailarino profissional Mike Wamaya.

Usando as paredes de apoio, os 30 alunos se revezam no pequeno espaço para dançar. Descalços- as sapatilhas de ponta, além de serem caras, não aguentam o atrito com o chão de cimento- e com tutus azuis, cor-de-rosa e lilás, os pequenos bailarinos dançam ao som de música clássica, que sai do computador e das caixas de som trazidas pelo professor.

A dança, além de uma distração para as crianças, é também uma possibilidade de melhoria de vida. Devido ao bom desempenho, quatro dos 30 alunos da turma de ballet de Kibera foram chamados para treinar em um estúdio em Karen, nos subúrbios da capital, Nairobi. E, no final de 2016, ainda tiveram a chance de se apresentarem no Teatro Nacional, com a famosa peça Quebra-Nozes.

As vezes, tem emoções que só as imagens conseguem transmitir. Compartilho aqui com vocês algumas fotos maravilhosas feitas pelo fotojornalista Fredrik Lerneryd com essas crianças.

Michaela DePrince

VEM AI CINEBIOGRAFIA SOBRE MICHAELA DEPRINCE

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VEM AI CINEBIOGRAFIA SOBRE MICHAELA DEPRINCE

Quem vê a trajetória profissional de Michela DePrince- passagem por companhias renomadas como American Ballet Theatre; atual posto de solista da Dutch National Opera & Ballet; estrela do clipe de Beyónce- muitas vezes não imagina a história de vida dela antes de conseguir alcançar seu sonho de ser uma bailarina profissional. A história inspiradora de Michaela foi contada em um livro escrito por ela em conjunto com sua mãe adotiva Elaine DePrince, “O Voo da Bailarina: De órfã de guerra ao estrelato”. E recentemente foi anunciado que ela ganhará uma cinebiografia dirigida, e possivelmente produzida, por Madonna. Com certeza, vem coisa boa por ai!!

Nascida em Serra Leoa, na África Central, em 1995, em plena guerra civil, Michaela (que foi batizada com o nome de Mabindy Bangura) tornou-se órfã aos 3 anos, após ter seu pai assassinado por rebeldes da Frente Revolucionária e sua mãe não conseguir sobreviver a uma febre de Lassa, uma das muitas doenças espalhadas pela guerra e pela falta de saneamento básico.

Por ser portadora de vitiligo, doença autoimune que produz manchas brancas no corpo, a menina sofreu preconceito da maioria dos moradores da vida onde morava- inclusive o tio que a cuidava logo após a morte dos pais- que acreditava que ela era uma maldição e logo passaram a chamá-la de “filha do diabo”. Com isso, o tio acabou entregando-a ao orfanato, onde viveu mais de um ano.

Foi no período em que passou no orfanato que Michaela conheceu o ballet. Em um dia de tempestade, uma capa de uma revista- trazida pelos ventos- ficou presa no portão do orfanato. A menina agarrou a folha com toda sua força. Nela, estava estampada uma bailarina branca (foi a primeira vez que Michaela viu também uma pessoa com outro tom de pele). “O que me chamou mais a atenção naquela imagem, no entanto, foi a expressão de felicidade em seu rosto. Apesar de eu não saber ao certo o que era ser uma bailarina, naquele momento pensei que, se ela estava sorrindo, talvez um dia eu pudesse sentir sua alegria se fizesse exatamente o mesmo” relembrou Michaela em uma entrevista dada a Vogue.

Michaela dividiu seu sonho de ser bailarina com sua professora de inglês, Sarah, para quem sempre dançava na ponta dos pés. Em mais uma passagem trágica de sua vida, Michaela presenciou sua professora preferida ser brutalmente assassinada por rebeldes quando estava grávida de sete meses. Mesmo tendo apenas 4 anos, Michaela nunca se esqueceu desse momento.

Pouco tempo depois, a menina foi adotada por uma família norte-americana. E para a felicidade da criança, Elaine DePrince (sua futura mãe) também havia adotado sua única amiga que havia feito no orfanato, Mabindy Suma. Foi quando ganharam os nomes que usam até hoje, Michaela e Mia DePrince, e se tornaram irmãs!

Quando chegou no hotel, Michaela tirou da calcinha a capa da revista que guardava com ela desde o dia que encontrou. Mostrou a foto da bailarina à mãe. Foi então que Elaine prometeu à menina que assim que elas chegassem em sua nova casa, no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos, Michaela começaria a fazer aulas de ballet. E foi o que aconteceu. Com 10 anos, a pequena bailarina já fazia aulas cinco vezes por semana, e se esforçava para chegar ao patamar da bailarina profissional da foto.

Na época, Michaela sofreu outra perda que a abalou profundamente: seu irmão adotivo Teddy, quem a ajudou a voltar a confiar nos homens novamente, faleceu devido à hemofilia. Com medo de que todas as pessoas que ela amava iriam morrer drasticamente, a bailarina se afastou completamente da família. Mas, seus pais e sua irmã conseguiram ajudá-la a superar. Foi o apoio da família que ajudou Michaela a se esforçar cada vez mais para até se tornar a grande bailarina profissional que é hoje em dia.

Foto: Ximena Brunette

COMO A DANÇA COLABORA NA EDUCAÇÃO

COMO A DANÇA COLABORA NA EDUCAÇÃO

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COMO A DANÇA COLABORA NA EDUCAÇÃO

Diferente do que muitos pensam, os benefícios da dança- e das atividades físicas em geral- vão muito além de saúde e bem estar. Ele pode contribuir no desenvolvimento das potencialidades humanas e sua relação com o mundo. Se falarmos especificamente sobre o período escolar, onde as crianças estão em maior fase de aprendizado e desenvolvimento social, a dança deveria ser valorizada. Mas, por que ainda muitas instituições de ensino acreditam que a dança – e a atividade física- são matérias secundárias em relação às outras como matemática, ciências e linguagem?

O líder global em reforma educacional Ken Robinson e a autora Lou Aronica falam sobre esse tema em seu livro You, Your Child and School: Navigate your way to the Best Education (“Você, seu filho e escola: navegue para a melhor educação”, em tradução livre).

Em uma passagem do livro, Ken Robinson lembra que, em 2016, realizou uma palestra, na London School of Contemporary Dance, sobre o papel da dança das escolas e como ela pode contribuir para a educação geral de cada criança. Além de destacar estudos que já apontam a importância da dança na vida e educação.

No livro Dance Education Around the World: Perspectives on Dance, Young, People and Change (“Educação da Dança ao Redor do Mundo: Perspectivas de Dança, Jovens, Pessoas e Mudança”, em tradução livre), as pesquisadoras Charlotte Svendler Nielsen e Stepanhie Burridge mostram estudos recentes que comprovam o valor da dança em diferentes tipos de ambientes: da Finlândia à África do Sul, de Gana a Taiwan, Nova Zelândia para a América. Nesses estudos, fica evidente como a compreensão mais profunda da dança pode transformar a vida de pessoas de todas as idades e origens. Ajudando a recriar um ambiente mais alegre e trazendo estabilidade às vidas problemáticas. Além de aliviar as tensões como bullying e violência nas escolas.

Programas como o Dancing Classrooms, uma organização sem fins lucrativos de Nova York, que leva a dança de salão para escolas com alunos que tenham problemas disciplinares são um exemplo de sucesso de como a dança pode ser transformadora. É possível ver mudança dos estudantes, que muitas vezes começam o programa sem querer participar, e ao longo das vinte sessões de aulas que o programa oferece já mudam seus comportamentos para melhor.

Em uma avaliação feita pela própria organização na cidade de Nova York, 95% dos professores disseram que, como resultado da dança, houve uma melhoria demonstrável na capacidade dos alunos de cooperar e colaborar. Em uma pesquisa em Los Angeles, 66% dos diretores disseram que, depois de participarem do programa, seus alunos mostraram uma maior aceitação dos outros, e 81% dos alunos disseram tratar os outros com mais respeito.

Claro que tudo não é só a dança. É fruto de um trabalho em conjunto entre atividades físicas e ações educacionais. Importante deixar claro que não ensinamos dança visando apenas formar dançarinos profissionais, mas sim para colaborarmos com a formação completa física e emocional das pessoas.

BALLET DE REPORTÓRIO- GISELLE

BALLET DE REPERTÓRIO: GISELLE



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BALLET DE REPERTÓRIO: GISELLE

Como já contei aqui antes, o ballet de repertório revolucionou a modalidade artística ao investir na precisão dos movimentos e na interpretação dramática dos bailarinos. Com o intuito de contar uma história por meio da dança, essas montagens acabaram se tornando clássicos que são encenados até hoje pelas maiores companhias do mundo como Royal Ballet, Ballet de L’Opera de Paris, American Ballet Theater.

Montado em 1841, Giselle foi o segundo ballet criado desse estilo romântico e é um marco na história da dança. O papel de Giselle é um dos mais procurados e difíceis no ballet, já que exige a união da técnica perfeita com uma excelente interpretação. Ele foi responsável também por transformar bailarinas em estrelas. Muitas delas tem Giselle como o seu grande papel.

A obra foi criada em conjunto pelo escritor Theóphile Gautier, o libretista Vernoy de Saint-Georges e os coreógrafos Jean Coralli e Jules Perrot. A composição da música ficou a cargo de Adolphe Adam, que a escreveu em apenas três semanas. Porém, a versão de Giselle que se tornou um das mais encenadas da atualidade foi criada, em 1965, pelo coreógrafo inglês Peter Wright.

Com uma dramaturgia acentuada, o ballet Giselle é dividido em dois atos. A primeira parte começa com o realismo do cotidiano e mostra a história de uma humilde camponesa, Giselle, que se suicida após sofrer uma desilusão amorosa. No segundo ato, a dança embarca no universo mágico e imaterial, onde Giselle encontra as Willis, espíritos de moças que morreram antes do dia do casamento. Para vingar-se, elas se reúnem e obrigam os rapazes a dançarem até a morte. Mas quando a rainha das Willis vai atacar seu amado, Giselle acaba salvando-o.

A história original da dança passou por algumas mudanças antes de chegar à versão mais conhecida atualmente. A cena forte do final do primeiro ato que resultava no suicídio de Giselle na primeira versão chocou o público da época e, futuramente, foi adaptado para uma morte por ataque do coração. Mas, de qualquer forma, a história não tinha como não virar um clássico que faz sucesso absoluto todas as vezes que é remontado.

A SALA DE SAPATILHAS DO NEW YORK CITY BALLET

A SALA DE SAPATILHAS DO NEW YORK CITY BALLET

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A SALA DE SAPATILHAS DO NEW YORK CITY BALLET

A sapatilha de ballet é elemento fundamental para a dança do ballet clássico e muitos dos bailarinos a considera, praticamente, uma extensão do próprio corpo, dando a ilusão de que a dança na ponta dos pés é algo natural ao ser humano. Além disso, a sapatilha influencia diretamente o desempenho da bailarina: se o sapato não for o correto, a bailarina não consegue fazer o seu trabalho da melhor forma.

Por isso, nas grandes companhias de ballet, o cuidado com os calçados se torna algo de extrema importância. O New York City Ballet, por exemplo, tem um espaço, no porão do David H. Koch Theater, no Lincoln Center, destinado a abrigar cerca de seis mil pares de sapatilhas de ponta, cuidadosamente empilhadas em prateleiras que chegam até o teto.

Apesar de escondida do grande público, essa sala de sapatilhas do New York City Ballet é um dos lugares mais importantes para os membros da companhia. É lá que os bailarinos, frequentemente, vão para procurar o par ideal para suas performances especiais. Alguns também tem a chance de encomendar sapatilhas feitas sob medida, que na maior das vezes são fabricadas por artesãos ingleses e importadas de Londres.

Segundo a supervisora do setor de calçados e ex-diretora do Ballet Northwest, Linnette Roe, as dançarinas de NYCB passam por 9.000 a 11.000 pares de sapatos por ano- incluindo sapatos baixos, tênis, sapatos de jazz e sapatos de personagens. A empresa tem um orçamento anual de cerca de U$780mil destinado aos calçados.

Todas as bailarinas da companhia recebem uma coluna vertical de prateleiras para seus sapatos de ponta, que são mantidos em sacos plásticos para (acreditem ou não) serem protegidos de insetos.

Sem limites de pares de sapatos que podem pedir, cada bailarina tem um “arquivo de sapato”, com planilhas detalhando todas as mudanças que fizeram nas suas encomendas ao longo do tempo. “Algumas bailarinas consertam constantemente – subindo ou descendo um quarto do tamanho, experimentando novos fabricantes, removendo os pinos do calcanhar”, diz Linnete Roe em reportagem ao Dance Spirit. E ela ainda conta que solicitação de personalização mais comum é ajustar a altura do cetim nas laterais dos sapatos.

Curiosamente, a cada ano, as bailarinas usam de 500 a 800 pares de sapatilhas em O Quebra Nozes, mas essa montagem não é a que mais gasta sapatos. “Em duas semanas de O Lago dos Cisnes usam mais sapatos do que seis semanas de O Quebra Nozes” diz Roe. “São todas da companhia em ponta durante todo o espetáculo”.

Imagina, bailarinas, ter uma infinidade de sapatilhas de pontas para escolher? Incrível!!

 

Foto: Tess Mayer

PLAYLIST- BALLET CLÁSSICO INICIANTE

PLAYLIST- BALLET CLÁSSICO INICIANTE

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PLAYLIST- BALLET CLÁSSICO INICIANTE

Como já falei aqui antes, a música é fundamental para o ballet. Pensando nas pessoas que estão começando agora nesse universo do ballet clássico, eu criei essa playlist para adulto iniciante. Bom, o que diferencia uma aula de ballet clássico iniciante de uma aula para uma turma mais adiantada? Basicamente a quantidade de exercícios dados em aula! As turmas iniciantes fazem menos sequências e a aula é mais curta, durando normalmente 60 min, enquanto as intermediárias têm 1h30 de duração. E as profissionais vão de 1h45 a 2h de treino.

Além disso, para as aulas de ballet clássico iniciante as músicas são, normalmente, mais lentas, com os compassos mais marcados e definidos. Isso porque no início da prática do ballet é muito difícil de sincronizar a música com o movimento. Se a música tiver muitas notas e for muito dedilhada fica difícil pra quem esta iniciando perceber os tempos: quando abrir ou fechar as pernas; quando dobrar ou esticar o joelho… Então as músicas são mais marcadas.

Para começar a aula, coloquei uma música de aquecimento que pode ou não ser feito de frente para a barra. Mas, depois, para as próximas sequências é necessário ir à barra. Isso porque, no ballet clássico iniciante, é importante ter, em muitos dos passos, as duas mãos apoiadas na barra, ficando mais fácil de desenvolver a consciência da postura corporal (alinhamento entre quadril e os ombros em forma de um quadrado) que o ballet exige.

Depois eu acrescentei duas opções de músicas para battement tendu (uma mais lenta para fazer a sequência mais marcada e depois uma mais rápida). Em seguida, coloco duas versões (mesma proposta de uma lenta e outra rápida) de battement jeté. Eu gosto de colocar depois dos battement jetés, exercícios de relevés para fortalecer os tornozelos, para ser uma sequência um pouco mais de força e equilíbrio, antes de ir para os rond de jambes. Nos Rond de jambes, eu escolhi um tempo lento de música, bem marcado para conseguir, aos poucos, entrar nessa sequência que exige tantas rotações de perna para fora.

Interessante que a próxima música que eu escolhi é uma de battement sur le cou-de-pied. Inicialmente, pode parecer um pouco esquisito porque normalmente os battement sur le cou-de-pied são ensinados depois dos fondus e frappés. Apesar de ser uma música com um ritmo mais acelerado, no ballet iniciante, eu gosto de ensinar esse movimento com pausas para realmente aprender a posição do pé do cou-de-pied, que será fundamental para fazer o battemend fondu e o frappé.

Em seguida, ainda na barra, vem o fondu e o frappé. Depois, uma música com tempo bem lento para o Adagio, para movimentos lentos e ligados. Para finalizar os movimentos na barra, uma trilha para o grand battement também bem marcada e definida para não gerar confusão na execução.

Como é necessário ter uma sólida na barra e uma segurança maior antes de ir para o centro, no ballet iniciante a parte dos exercícios no centro é mais curta. Então, a gente não faz todos os exercícios de uma aula completa no centro.

Para começar no centro, eu gosto de dar battement tendu para sentir o corpo, o equilíbrio. Depois um adagio que eu gosto de mostrar bastante as posições do braço, sem a barra, a posição do corpo em relação ao espaço. Dou também bastante Port de Bras nesse adagio do ballet iniciante.

 Depois gosto de dar exercícios de relevés variando entre com as duas pernas e uma só, por ser o primeiro momento que eles começam a fazer exercícios fora da barra de equilíbrio na meia ponta. Com o tempo esses relevés podem virar piruetas, pequenos giros, mas sempre no centro da sala, sem ir para a diagonal (como é feito nas aulas mais adiantadas).

Em seguida eu dou um pouco mais de salto. Em um petit allegro, eu gosto de repetir a sequência que dei no relevé mas agora com saltos. Por exemplo, na primeira posição eu dei plié- relevé- plié- relevé, e na hora dos saltos eu vou dar plié-sauté-plié-sauté, que é um desdobramento do relevé.

Depois do petit Allegro, eu dou uma outra opção de Petit Allegro um pouco mais rápido. E, por fim, a Révérence que é a finalização da aula, o agradecimento, como faço em todas as aulas.

Acho interessante destacar que na aula iniciante o único salto que a gente faz é o petit allegro. Eu não gosto de dar logo no princípio os médios saltos e os grandes saltos, porque acho importante solidificar bem o aprendizado nos petit allegros para depois, aos poucos, ir evoluindo para os médios e grandes, que ficam para as turmas mais adiantadas.

Espero que tenham gostado! E fiquem ligados aqui que em breve vou dando mais dicas de aulas.

Balé da Cidade dança Caetano

BALÉ DA CIDADE DANÇA CAETANO

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BALÉ DA CIDADE DANÇA CAETANO

Agora em 2018, o Balé da Cidade de São Paulo completa 50 anos de sua criação e a companhia escolheu a obra de Caetano Veloso para inspirar o primeiro espetáculo dessa temporada comemorativa, “Um Jeito de Corpo- Balé da Cidade Dança Caetano”, que estreou no Teatro Municipal na última quinta-feira (15/03).

Depois de ter suas obras traduzidas e interpretadas por diversos artistas, Caetano Veloso empresta seu universo musical e suas referências- filmes de Fellini e Almodóvar, movimentos como a Tropicália e temas como sexo e negritude- ao mundo da dança. A produção tem coreografia assinada por Morena Nascimento, brasileira radicada na Alemanha (ex-integrante da companhia alemã Tanz Theater Wuppertal, de Pina Bausch), que foi convidada especialmente pelo diretor artístico do Balé da Cidade, Ismael Ivo.

O espetáculo tem direção musical do músico e historiador Cacá Machado e dramaturgia de Vadim Nikitin. Um outro destaque é o figurino criado pela Isadora Gallas, que é todo composto por um “não tecido”, tradicionalmente usado nas roupas de proteção de operários industriais, expostos a riscos químicos. Durante o espetáculo, as peças são infladas no ar e se transformam em telas para projeção de imagens no corpo dos bailarinos. Incrível!

Criado em 1968, o Balé da Cidade de São Paulo (inicialmente conhecido como Corpo de Baile Municipal) tinha uma proposta de acompanhar as óperas do Teatro Municipal e se apresentar com obras do repertório clássico. No entanto, em 1974, sob a direção artística de Antonio Carlos Cardoso, a companhia passou a seguir o perfil mais contemporânea que mantém até os dias atuais.

Durante esses 50 anos de história, a companhia se destacou pela inovação de movimento, criação de novas expressões artísticas e rigor técnico, originando grandes sucessos no cenário nacional e internacional.

Claro que o espetáculo “Um Jeito de Corpo- Balé da Cidade Dança Caetano” já é sucesso! Eu ainda não tenho ingressos, mas quero muito assistir! As apresentações vão até dia 25/03, então ainda temos chance de ver de perto essa linda homenagem!!

Você consegue mais informações aqui: http://theatromunicipal.org.br/programacao/um-jeito-de-corpo/

foto: Rodrigo Fonseca