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PLAYLIST – INTROSPECÇÃO

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Hoje eu decidi compartilhar com vocês uma playlist diferente! Como o nome já diz, criei essa seleção para momentos de introspecção. As músicas foram cuidadosamente escolhidas para aqueles momentos em que busco ter uma viagem interior, onde me conecto e me encontro.

São 13 faixas que totalizam uma hora de playlist. Não são músicas animadas, para sair pulando ou dançando, pelo contrário, são canções que me emocionam e proporcionam esse momento de mergulhar para dentro de mim.

As músicas são variadas, de diferentes compositores. Tem músicas conhecidas, outras nem tanto. Apesar de nem todas serem do universo do ballet (algumas costumo escutar na minha aula de yoga), ao ouvi-las é possível fechar os olhos e imaginar uma dança. É nesta dança que eu consigo me encontrar, ficar tranquila e fazer as minhas reflexões.

Eu fiz essa playlist com muito carinho, porque ela me representa interiormente. Espero que todos gostem, porque essa seleção significa muito para mim!

 

WENDY WHELAN, A TRAJETÓRIA DE UMA BAILARINA INQUIETA.

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O New York City Ballet anunciou a nova equipe de direção artística e pela primeira vez uma mulher está sob o comando da companhia. Wendy Whelan, ex-estrela do grupo, que se aposentou em 2014, após 30 anos de carreira, é a nova diretora artística associada!

Wendy é uma exímia bailarina com uma trajetória muito bonita na companhia norte-americana. Desde os 17 anos, no NYCB, Wendy dedicou grande parte de sua vida para a dança, chegando a ser considerada umas das bailarinas mais admiradas dos últimos tempos.

Ao completar 40 anos, a companhia começou a diminuir sua participação nos espetáculos e uma cirurgia no quadril após uma lesão séria fez com que a bailarina tivesse que repensar sua carreira.

Sempre inquieta, como a verdadeira artista que é, Wendy aproveitou o turbilhão e desenvolveu um projeto independente e colaborativo, chamado Restless Creature (Criatura Inquieta) onde convidou quatro coreógrafos contemporâneos para criarem e dançarem juntos.

Todo esse processo foi acompanhando de perto pelos cineastas Linda Saffire e Adam Schlesinger – o que faz a gente admirar ainda mais essa artista por tamanha coragem em expor conflitos e momentos tão pessoais e únicos. É também essa exposição que faz a gente se reconhecer nessa mulher tão especial. Afinal, são conflitos que todo artista apaixonado pela sua arte, se já não passou, pode passar um dia – especialmente na dança.

Então, no Journal de hoje, eu indico esse excitante documentário, disponível na Netflix.  

Com vocês, Restless Creature: Wendy Whelan.

Vejam! 

Aplausos, Wendy!  E vida longa no novo cargo.

 

 

PLAYLIST – FESTA DE BALLET FUNCIONAL

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A história desta playlist é muito especial! A ideia era fazer uma festa surpresa para uma das minhas alunas de Ballet Funcional. Juntamos duas turmas que já se conheciam, mas faziam aulas em horários diferentes e fizemos uma aula-festa surpresa com ballet. O mais legal é que o tema da festa foi anos 80, então todas foram fantasiadas de acordo com a época. Demais, né?

Como a aula era de Ballet Funcional, eu fiz uma seleção que uniu o clima de comemoração com os exercícios de definição muscular. Espero que vocês gostem!

São músicas de diferentes épocas, começando com as famosas dos anos 80, como Footloose, a canção de Kenny Loggins para o filme de mesmo nome, e “Sweet Dreams (Are Made of This)”, do grupo britânico Eurythmics.

Ainda temos clássicos como Prince, Cindy Lauper, Madonna e muitos outros. Entre as mais recentes, temos Amy Winehouse, Kylie Minogue, Coldplay e até a brasileira Anitta. São 22 músicas que vão embalar uma aula diferente e super animada, que as alunas vão adorar.

Sigam a playlist no Spotify e deixem aqui nos comentários quais playlist vocês gostariam que eu fizesse ou alguma dúvida sobre essa seleção. Vou adorar saber a opinião de vocês!

 

 

 

PLAYLIST – BALLET FUNCIONAL

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PLAYLIST – BALLET FUNCIONAL 

Continuando a minha série de trilhas sonoras para usar em aulas, hoje eu vou compartilhar uma playlist especial para aulas de Ballet Funcional. Como o próprio nome já diz o enfoque deste tipo de aula é outro. Então a seleção de músicas também é diferente. Espero que gostem!

A playlist tem 55 minutos de música. As duas últimas faixas, mais lentas, são de alongamento. Eu gosto de mesclar umas músicas mais de batidas que têm o ritmo bem marcado, bem acentuado e bem definido. Este tipo de música é muito bacana por conta das diversas repetições que a aula de Ballet Funcional propõe.

Eu também gosto de pegar músicas cantadas que as alunas sabem a letra porque anima a aula – elas se identificam e ficam mais empolgadas. É uma aula pesada, uma aula de resistência, cansativa e a música acaba dando o tom da aula –  é o tchan! do negócio. Não só para as alunas mas para mim como professora também.

Então, é essencial escolher as músicas certas para ajudar a atingir os objetivos e dar a cara da aula. Eu gosto bastante desta playlist. Ela começa só com músicas marcadas com bastante saques com batidas. Depois tem umas músicas cantadas, umas mais atuais – até Madonna e Footloose – que sempre que tocam as alunas se empolgam muito. E termina com duas mais lentas para o alongamento final, eu sempre termino com o alongamento. Duas músicas que eu acho lindas. Espero que vocês usem e gostem!

 

BALLET DE REPERTÓRIO: DON QUIXOTE

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BALLET DE REPERTÓRIO: DON QUIXOTE

 

Dando continuidade à série sobre Ballet de Repertório, eu vou falar hoje sobre o Don Quixote que tive a oportunidade de dançar.  Ninguém tem dúvidas de que a obra de Miguel Cervantes é um clássico da literatura universal e influenciou artistas de diversas áreas. E não foi diferente com a dança.

Em 1860, o coreógrafo francês Marius Petipa encontrou na Rússia espaço para experimentar novas possibilidades técnicas e criativas, contando histórias que misturam o mundo real e o universo da fantasia. A novela espanhola era um prato cheio para as ambições do coreógrafo pelas cenas de ilusão de Don Quixote e o enredo dos enamorados Kitri e Basílio – impedidos de viver seu amor, pois a jovem fora prometida pelo seu pai, Lorenzo, ao rico comerciante Gamache.

O coreógrafo adaptou algumas partes do livro de Cervantes criando uma versão para o Ballet Imperial no Teatro Bolshoi. A montagem estreou em 1869 e os papéis principais foram dançados por Anna Sobeshenskaya, como Kitri e Sergei Sokolov, como Basílio.

Petipa, que conhecia muito bem a Espanha, procurou reviver o espírito do país, criando uma obra forte, cheia de heroísmo e romance, ao mesmo tempo alegre e colorida.  A produção foi um sucesso pelas influências hispânicas com ritmos mais soltos e descontraídos e até hoje é montada por companhias em todo o mundo com pequenas mudanças na coreografia e direção, mas respeitando a música virtuosa de Ludwig Minkus.

Foi o primeiro ballet completo de repertório que eu dancei. Quando a gente fala o primeiro ballet completo de repertório significa que são todos os atos do ballet.  No caso do Don Quixote, são três atos. Eu fazia a Kitri. Estudei muito a personagem, o seu estilo, para realmente caracterizar os passos e os movimentos com a sua personalidade. A Kitri é muito decidida, muito espevitada, com referências espanholas e passos com bastantes trejeitos e detalhes. Um dos pontos altos desta obra é sensualidade dos movimentos, uma característica até então rara no mundo do ballet.

Antes de começar os ensaios de coreografia propriamente dita, eu ensaiei bastante na frente do espelho as caras, as bocas, os olhares como se fosse um teatro mesmo, porque esse tipo de ballet exige do bailarino uma interpretação dramática. Assisti também muitas versões de Don Quixote, com artistas que eu admiro muito para ver qual linha eu ia seguir.  O vídeo que eu mais me inspirei foi da Cynthia Harvey com o Mikhail Baryshnikov.

Depois disso, eu comecei os ensaios dos passos pouco a pouco, ato por ato. Como é muita coreografia, são muitas horas de ballet, a gente vai bem aos poucos para aprender e decorar todos os movimentos. No primeiro ensaio eu achei que eu não ia dar conta, que eu não ia ter fôlego para dançar todos os atos, mas devagar e sempre, eu cheguei lá e deu tudo certo.

Foi uma experiência muito importante montar um clássico como esse, afinal essa obra não é uma prova apenas da genialidade de Cervantes, mas também de Marius Petipa. O coreógrafo mostrou que se pode fazer uma obra extremamente clássica justamente por inovar nos padrões.

Confira trechos de quando dancei o Don Quixote:

DIA INTERNACIONAL DA DANÇA

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DIA INTERNACIONAL DA DANÇA

No dia 29 de abril, neste domingo, é comemorado o Dia Internacional da Dança! Além de celebrar essa arte milenar, a data foi criada pelo Comitê Internacional de Dança da Unesco – do qual eu sou membro – com o intuito de incentivar o estudo da dança no sistema de educação, do ensino infantil ao superior.

A data foi escolhida em homenagem ao nascimento do bailarino, professor e ensaísta francês Jean-George Noverre (1727-1810). Conhecido por alguns como o Shakespeare da dança, ele revolucionou o ballet de seu tempo ao libertar os bailarinos de posições estereotipadas, de máscaras pesadas e de vestimentas que incomodavam e escondiam o corpo. Ao simplificar a execução dos passos e propor mais sutileza nos movimentos, Noverre exigia maior verdade e sensibilidade dos bailarinos. Foi o fim dos tempos do rococó, dos enfeites extravagantes, que segundo o coreógrafo, ocultavam as belas formas.

Através das técnicas da pantomima, o bailarino atribuiu maior expressividade aos passos privilegiando mãos, braços e feições para sensibilizar e emocionar. Uma de suas obras mais importantes é o livro Lettres sur la Danse at sur les Ballets, um conjunto de cartas onde expôs suas novas ideias sobre o ballet de ação e o movimento expressivo. Suas teorias se difundiram por vários lugares do mundo e influenciam artistas até hoje.

Por coincidência, aqui no Brasil, a data também pode ser associada ao aniversário da bailarina Marika Gidali que, com Décio Otero, criou o importante Ballet Stagium em 1971. A experiência da premiada bailarina se assemelha a de Noverre na constante busca por inovações.

Nascida na Hungria, antes do início da Segunda Guerra Mundial, Marika veio para o Brasil com sua família que estava fugindo do nazismo crescente na Europa. Quando chegou, aos 10 anos de idade, começou a praticar ballet no clube húngaro em São Paulo e nunca mais parou. Teve uma trajetória exemplar como bailarina, participando do corpo de baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, do Ballet do Teatro Cultura Artística e do Ballet IV Centenário.

Com a criação do Ballet Stagium, Marika procurou inaugurar no país uma nova forma de fazer e apreciar dança. Em constante trânsito entre tradição e ruptura, a bailarina estabeleceu uma estética própria e uma linguagem que propõe refletir o Brasil em sua complexidade social, histórica e cultural.

Carregado de tantas histórias, esse dia fica ainda mais especial. E não posso deixar, claro, de parabenizar todos os profissionais – bailarinos, coreógrafos, diretores, iluminadores, cenógrafos, figurinistas, fotógrafos e produtores – que assim como eu acreditam na importância da arte na vida das pessoas. Para mim, a dança tem um significado muito particular: é o alimento da alma que esculpe o movimento, a musicalidade da vida que cultiva a harmonia do ritmo com beleza.

Foto:  Emidio Luisi – Espetáculo “Batucada” – Ballet Stagium – Direção: Márika Gidali e Décio Otero.

O ballet na maior favela do mundo

O BALLET NA MAIOR FAVELA DO MUNDO

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O BALLET NA MAIOR FAVELA DO MUNDO

Como já falei aqui antes, eu amo ver o poder que a dança tem como agente transformador não só físico como também emocional e social. Conheci esse projeto incrível das organizações Anno’s Africa e One Fine Day que dá aulas de ballet em uma das maiores favelas do mundo, Kibera, comunidade localizada no Quênia, na África Oriental.

Uma vez por semana, a sala de aula da Spurgeons Academy– uma escola que acolhe principalmente crianças que ficaram órfãs por causa do HIV e lhes oferece, além da educação, a oportunidade de terem uma família de acolhimento- se transforma em um estúdio de ballet improvisado.

Todas às quartas-feiras, depois das aulas regulares, os próprios alunos e professores tiram todas as cadeiras e mesas e limpam o chão da sala de aula. A partir daí, o espaço- sem eletricidade, muito menos espelho ou barras específicas para a prática do ballet- virá vira sala de aula do professor e bailarino profissional Mike Wamaya.

Usando as paredes de apoio, os 30 alunos se revezam no pequeno espaço para dançar. Descalços- as sapatilhas de ponta, além de serem caras, não aguentam o atrito com o chão de cimento- e com tutus azuis, cor-de-rosa e lilás, os pequenos bailarinos dançam ao som de música clássica, que sai do computador e das caixas de som trazidas pelo professor.

A dança, além de uma distração para as crianças, é também uma possibilidade de melhoria de vida. Devido ao bom desempenho, quatro dos 30 alunos da turma de ballet de Kibera foram chamados para treinar em um estúdio em Karen, nos subúrbios da capital, Nairobi. E, no final de 2016, ainda tiveram a chance de se apresentarem no Teatro Nacional, com a famosa peça Quebra-Nozes.

As vezes, tem emoções que só as imagens conseguem transmitir. Compartilho aqui com vocês algumas fotos maravilhosas feitas pelo fotojornalista Fredrik Lerneryd com essas crianças.

Michaela DePrince

VEM AI CINEBIOGRAFIA SOBRE MICHAELA DEPRINCE

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VEM AI CINEBIOGRAFIA SOBRE MICHAELA DEPRINCE

Quem vê a trajetória profissional de Michela DePrince- passagem por companhias renomadas como American Ballet Theatre; atual posto de solista da Dutch National Opera & Ballet; estrela do clipe de Beyónce- muitas vezes não imagina a história de vida dela antes de conseguir alcançar seu sonho de ser uma bailarina profissional. A história inspiradora de Michaela foi contada em um livro escrito por ela em conjunto com sua mãe adotiva Elaine DePrince, “O Voo da Bailarina: De órfã de guerra ao estrelato”. E recentemente foi anunciado que ela ganhará uma cinebiografia dirigida, e possivelmente produzida, por Madonna. Com certeza, vem coisa boa por ai!!

Nascida em Serra Leoa, na África Central, em 1995, em plena guerra civil, Michaela (que foi batizada com o nome de Mabindy Bangura) tornou-se órfã aos 3 anos, após ter seu pai assassinado por rebeldes da Frente Revolucionária e sua mãe não conseguir sobreviver a uma febre de Lassa, uma das muitas doenças espalhadas pela guerra e pela falta de saneamento básico.

Por ser portadora de vitiligo, doença autoimune que produz manchas brancas no corpo, a menina sofreu preconceito da maioria dos moradores da vida onde morava- inclusive o tio que a cuidava logo após a morte dos pais- que acreditava que ela era uma maldição e logo passaram a chamá-la de “filha do diabo”. Com isso, o tio acabou entregando-a ao orfanato, onde viveu mais de um ano.

Foi no período em que passou no orfanato que Michaela conheceu o ballet. Em um dia de tempestade, uma capa de uma revista- trazida pelos ventos- ficou presa no portão do orfanato. A menina agarrou a folha com toda sua força. Nela, estava estampada uma bailarina branca (foi a primeira vez que Michaela viu também uma pessoa com outro tom de pele). “O que me chamou mais a atenção naquela imagem, no entanto, foi a expressão de felicidade em seu rosto. Apesar de eu não saber ao certo o que era ser uma bailarina, naquele momento pensei que, se ela estava sorrindo, talvez um dia eu pudesse sentir sua alegria se fizesse exatamente o mesmo” relembrou Michaela em uma entrevista dada a Vogue.

Michaela dividiu seu sonho de ser bailarina com sua professora de inglês, Sarah, para quem sempre dançava na ponta dos pés. Em mais uma passagem trágica de sua vida, Michaela presenciou sua professora preferida ser brutalmente assassinada por rebeldes quando estava grávida de sete meses. Mesmo tendo apenas 4 anos, Michaela nunca se esqueceu desse momento.

Pouco tempo depois, a menina foi adotada por uma família norte-americana. E para a felicidade da criança, Elaine DePrince (sua futura mãe) também havia adotado sua única amiga que havia feito no orfanato, Mabindy Suma. Foi quando ganharam os nomes que usam até hoje, Michaela e Mia DePrince, e se tornaram irmãs!

Quando chegou no hotel, Michaela tirou da calcinha a capa da revista que guardava com ela desde o dia que encontrou. Mostrou a foto da bailarina à mãe. Foi então que Elaine prometeu à menina que assim que elas chegassem em sua nova casa, no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos, Michaela começaria a fazer aulas de ballet. E foi o que aconteceu. Com 10 anos, a pequena bailarina já fazia aulas cinco vezes por semana, e se esforçava para chegar ao patamar da bailarina profissional da foto.

Na época, Michaela sofreu outra perda que a abalou profundamente: seu irmão adotivo Teddy, quem a ajudou a voltar a confiar nos homens novamente, faleceu devido à hemofilia. Com medo de que todas as pessoas que ela amava iriam morrer drasticamente, a bailarina se afastou completamente da família. Mas, seus pais e sua irmã conseguiram ajudá-la a superar. Foi o apoio da família que ajudou Michaela a se esforçar cada vez mais para até se tornar a grande bailarina profissional que é hoje em dia.

Foto: Ximena Brunette

COMO A DANÇA COLABORA NA EDUCAÇÃO

COMO A DANÇA COLABORA NA EDUCAÇÃO

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COMO A DANÇA COLABORA NA EDUCAÇÃO

Diferente do que muitos pensam, os benefícios da dança- e das atividades físicas em geral- vão muito além de saúde e bem estar. Ele pode contribuir no desenvolvimento das potencialidades humanas e sua relação com o mundo. Se falarmos especificamente sobre o período escolar, onde as crianças estão em maior fase de aprendizado e desenvolvimento social, a dança deveria ser valorizada. Mas, por que ainda muitas instituições de ensino acreditam que a dança – e a atividade física- são matérias secundárias em relação às outras como matemática, ciências e linguagem?

O líder global em reforma educacional Ken Robinson e a autora Lou Aronica falam sobre esse tema em seu livro You, Your Child and School: Navigate your way to the Best Education (“Você, seu filho e escola: navegue para a melhor educação”, em tradução livre).

Em uma passagem do livro, Ken Robinson lembra que, em 2016, realizou uma palestra, na London School of Contemporary Dance, sobre o papel da dança das escolas e como ela pode contribuir para a educação geral de cada criança. Além de destacar estudos que já apontam a importância da dança na vida e educação.

No livro Dance Education Around the World: Perspectives on Dance, Young, People and Change (“Educação da Dança ao Redor do Mundo: Perspectivas de Dança, Jovens, Pessoas e Mudança”, em tradução livre), as pesquisadoras Charlotte Svendler Nielsen e Stepanhie Burridge mostram estudos recentes que comprovam o valor da dança em diferentes tipos de ambientes: da Finlândia à África do Sul, de Gana a Taiwan, Nova Zelândia para a América. Nesses estudos, fica evidente como a compreensão mais profunda da dança pode transformar a vida de pessoas de todas as idades e origens. Ajudando a recriar um ambiente mais alegre e trazendo estabilidade às vidas problemáticas. Além de aliviar as tensões como bullying e violência nas escolas.

Programas como o Dancing Classrooms, uma organização sem fins lucrativos de Nova York, que leva a dança de salão para escolas com alunos que tenham problemas disciplinares são um exemplo de sucesso de como a dança pode ser transformadora. É possível ver mudança dos estudantes, que muitas vezes começam o programa sem querer participar, e ao longo das vinte sessões de aulas que o programa oferece já mudam seus comportamentos para melhor.

Em uma avaliação feita pela própria organização na cidade de Nova York, 95% dos professores disseram que, como resultado da dança, houve uma melhoria demonstrável na capacidade dos alunos de cooperar e colaborar. Em uma pesquisa em Los Angeles, 66% dos diretores disseram que, depois de participarem do programa, seus alunos mostraram uma maior aceitação dos outros, e 81% dos alunos disseram tratar os outros com mais respeito.

Claro que tudo não é só a dança. É fruto de um trabalho em conjunto entre atividades físicas e ações educacionais. Importante deixar claro que não ensinamos dança visando apenas formar dançarinos profissionais, mas sim para colaborarmos com a formação completa física e emocional das pessoas.

BALLET DE REPORTÓRIO- GISELLE

BALLET DE REPERTÓRIO: GISELLE



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BALLET DE REPERTÓRIO: GISELLE

Como já contei aqui antes, o ballet de repertório revolucionou a modalidade artística ao investir na precisão dos movimentos e na interpretação dramática dos bailarinos. Com o intuito de contar uma história por meio da dança, essas montagens acabaram se tornando clássicos que são encenados até hoje pelas maiores companhias do mundo como Royal Ballet, Ballet de L’Opera de Paris, American Ballet Theater.

Montado em 1841, Giselle foi o segundo ballet criado desse estilo romântico e é um marco na história da dança. O papel de Giselle é um dos mais procurados e difíceis no ballet, já que exige a união da técnica perfeita com uma excelente interpretação. Ele foi responsável também por transformar bailarinas em estrelas. Muitas delas tem Giselle como o seu grande papel.

A obra foi criada em conjunto pelo escritor Theóphile Gautier, o libretista Vernoy de Saint-Georges e os coreógrafos Jean Coralli e Jules Perrot. A composição da música ficou a cargo de Adolphe Adam, que a escreveu em apenas três semanas. Porém, a versão de Giselle que se tornou um das mais encenadas da atualidade foi criada, em 1965, pelo coreógrafo inglês Peter Wright.

Com uma dramaturgia acentuada, o ballet Giselle é dividido em dois atos. A primeira parte começa com o realismo do cotidiano e mostra a história de uma humilde camponesa, Giselle, que se suicida após sofrer uma desilusão amorosa. No segundo ato, a dança embarca no universo mágico e imaterial, onde Giselle encontra as Willis, espíritos de moças que morreram antes do dia do casamento. Para vingar-se, elas se reúnem e obrigam os rapazes a dançarem até a morte. Mas quando a rainha das Willis vai atacar seu amado, Giselle acaba salvando-o.

A história original da dança passou por algumas mudanças antes de chegar à versão mais conhecida atualmente. A cena forte do final do primeiro ato que resultava no suicídio de Giselle na primeira versão chocou o público da época e, futuramente, foi adaptado para uma morte por ataque do coração. Mas, de qualquer forma, a história não tinha como não virar um clássico que faz sucesso absoluto todas as vezes que é remontado.