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DIA INTERNACIONAL DA DANÇA

By April 24, 2018Journal

DIA INTERNACIONAL DA DANÇA

No dia 29 de abril, neste domingo, é comemorado o Dia Internacional da Dança! Além de celebrar essa arte milenar, a data foi criada pelo Comitê Internacional de Dança da Unesco – do qual eu sou membro – com o intuito de incentivar o estudo da dança no sistema de educação, do ensino infantil ao superior.

A data foi escolhida em homenagem ao nascimento do bailarino, professor e ensaísta francês Jean-George Noverre (1727-1810). Conhecido por alguns como o Shakespeare da dança, ele revolucionou o ballet de seu tempo ao libertar os bailarinos de posições estereotipadas, de máscaras pesadas e de vestimentas que incomodavam e escondiam o corpo. Ao simplificar a execução dos passos e propor mais sutileza nos movimentos, Noverre exigia maior verdade e sensibilidade dos bailarinos. Foi o fim dos tempos do rococó, dos enfeites extravagantes, que segundo o coreógrafo, ocultavam as belas formas.

Através das técnicas da pantomima, o bailarino atribuiu maior expressividade aos passos privilegiando mãos, braços e feições para sensibilizar e emocionar. Uma de suas obras mais importantes é o livro Lettres sur la Danse at sur les Ballets, um conjunto de cartas onde expôs suas novas ideias sobre o ballet de ação e o movimento expressivo. Suas teorias se difundiram por vários lugares do mundo e influenciam artistas até hoje.

Por coincidência, aqui no Brasil, a data também pode ser associada ao aniversário da bailarina Marika Gidali que, com Décio Otero, criou o importante Ballet Stagium em 1971. A experiência da premiada bailarina se assemelha a de Noverre na constante busca por inovações.

Nascida na Hungria, antes do início da Segunda Guerra Mundial, Marika veio para o Brasil com sua família que estava fugindo do nazismo crescente na Europa. Quando chegou, aos 10 anos de idade, começou a praticar ballet no clube húngaro em São Paulo e nunca mais parou. Teve uma trajetória exemplar como bailarina, participando do corpo de baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, do Ballet do Teatro Cultura Artística e do Ballet IV Centenário.

Com a criação do Ballet Stagium, Marika procurou inaugurar no país uma nova forma de fazer e apreciar dança. Em constante trânsito entre tradição e ruptura, a bailarina estabeleceu uma estética própria e uma linguagem que propõe refletir o Brasil em sua complexidade social, histórica e cultural.

Carregado de tantas histórias, esse dia fica ainda mais especial. E não posso deixar, claro, de parabenizar todos os profissionais – bailarinos, coreógrafos, diretores, iluminadores, cenógrafos, figurinistas, fotógrafos e produtores – que assim como eu acreditam na importância da arte na vida das pessoas. Para mim, a dança tem um significado muito particular: é o alimento da alma que esculpe o movimento, a musicalidade da vida que cultiva a harmonia do ritmo com beleza.

Foto:  Emidio Luisi – Espetáculo “Batucada” – Ballet Stagium – Direção: Márika Gidali e Décio Otero.

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