O BALLET QUE TRANSFORMA VIDAS

By February 9, 2018Journal
O BALLET QUE TRANSFORMA VIDAS

O BALLET QUE TRANSFORMA VIDAS

Como já falei aqui antes, eu acredito que a arte, especialmente o ballet, pode ter o poder de transformar vidas. Hoje vou falar um pouco sobre um incrível trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes de diversas comunidades do Rio de Janeiro. Refiro-me ao projeto social Dançar a Vida, criado em 1999 por iniciativa da professora Nelma Darzi (diretora artística da Escola de Dança Petite Danse) em parceria com a Escola Municipal Barão de Itacuruçá.

Nelma relembra em entrevista dada a revista Veja Rio como tudo começou. Na época, ela comandava a Escola de Dança Petite Danse (no bairro da Tijuca), centro formador de bailarinos profissionais, e imaginava um forma de, por meio do ballet, trabalhar os potenciais das crianças das comunidades que viviam ao redor da escola. Foi desse desejo que nasceu o Dançar a Vida.

A partir da parceria com uma escola pública próxima, Nelma iniciou o processo seletivo dos 25 participantes da primeira turma. Os alunos escolhidos passavam a receber bolsa de estudo integral para o curso de formação profissional da Escola de Dança Petite Danse, além de assistência médica gratuita e apoio no ensino escolar. A diretora da escola onde o projeto começou sugeriu que o trabalho fosse feito com os alunos mais comportados e estudiosos, mas Nelma disse que preferiria desenvolver os mais problemáticos. “No fim do ano, as crianças tinham um comportamento muito diferente, estavam menos rebeldes e mais envolvidas com a família”, relembra.

Partindo desse princípio, o projeto Dançar a Vida decidiu investir em um programa educacional que visava desenvolver a técnica na dança, além de dar uma formação humana, trabalhando aspectos como disciplina, trabalho em equipe, solidariedade, estímulo ao conhecimento e integração de diferentes linguagens artísticas.

Atualmente, o projeto assiste a 170 crianças e adolescentes de diversas comunidades do Rio de Janeiro, nos bairros da Tijuca, Barra da Tijuca e localidades do seu entorno, onde encontram-se comunidades como o Morro da Formiga, Borel, Salgueiro, Tijuquinha, Rio das Pedras entre outros, vindos de diversas instituições de ensino público. Podem participar da iniciativa meninos e meninas entre 7 a 15 anos, desde que estejam matriculados na rede de ensino público.

Os alunos mais dedicados e que se destacaram no projeto ingressaram nas Companhias de Dança da Escola Petite Danse e alguns foram até encaminhados para grandes companhias profissionais no Brasil e no exterior. É o caso do Daniel Davidson, morador de Bangu, que mais tarde tornou-se solista na respeitada companhia americana San Francisco Ballet. Além das irmãs Mayara e Mayanie Magri: a primeira ingressou no projeto aos oito anos e hoje é solista no Royal Ballet (de Londres), enquanto a segunda vive em Stuttgart, na Alemanha, onde atua em uma grande companhia.

Além de ajudar os jovens a se desenvolverem no universo das artes, o projeto também mexe com a vida de seus familiares. Ao ver o sucesso das filhas, uma mãe, que por anos trabalhou como empregada doméstica, se motivou a voltar aos estudos. Um exemplo que comprova a força da arte como ferramenta de transformação social.

 

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