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January 2018

Você sabe o que é o hiplet?

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DO HIPLET?

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VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DO HIPLET?

Como vocês bem sabem, eu sou completamente apaixonada por ballet, mas também sou fã de tudo que envolva o universo da dança. Por conta disso, acho o máximo quando surgem propostas como o hiplet, modalidade que mescla o ballet e o hip hop e que tem feito um tremendo sucesso nos Estados Unidos. Desenvolvida por Homer Hans Bryant, bailarino consagrado e diretor artístico e fundador do Centro de Dança Multicultural de Chicago, a dança foi criada em 2009, mas se transformou em um hit a partir de 2016, quando bailarinas do centro publicaram vários vídeos no Instagram que rapidamente se tornaram virais.

Posteriormente, o criador do método foi convidado a dar uma palestra no TEDx, as alunas começaram a aparecer nos principais programas de TV dos EUA e foram convidadas a fazer uma apresentação na Semana de Moda de Paris. O hiplet bombou tanto que ganhou adeptos famosos, como a cantora pop Lady Gaga e as filhas do ex-presidente estadunidense Barack Obana, Malia e Sasha Obama.

Ao criar o Hiplet, Bryant quis, inicialmente, incentivar mais crianças a estudar dança. Posteriormente, no entanto, o coreógrafo também se propôs a apresentar um olhar mais moderno e contemporâneo sobre o ballet e aproximar mais bailarinos negros do universo do ballet clássico. No hiplet, a ponta, um componente essencial do ballet, é utilizada com uma proposta, digamos, mais liberal. Ao som do hip hop e música pop, as bailarinas movimentam os quadris, dobram os joelhos e pulam na ponta balançando os braços para frente e para trás. Em resumo, o hiplet não busca a perfeição ou a ilusão do etéreo tão típicas do ballet, mas a beleza estética que os movimentos corporais, especialmente da parte inferior do corpo, produzem. E o resultado é lindo!  

Os mais tradicionais são contra o hiplet, criticam a sua proposta enquanto dança (dizem que ele não é nem ballet, nem hip hop) e afirmam que ele na contribui na inserção de bailarinos negros no ballet clássico (pelo contrário, só aumenta a segregação). Na minha visão, uma modalidade não se sobrepõe a outra. Há espaço para todas e todo mundo sai ganhando com a existência delas.

 

BALLET SEM FRONTEIRAS

BALLET SEM FRONTEIRAS

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BALLET SEM FRONTEIRAS

Quando tinha 15 anos, a bailarina e professora Fernanda Bianchini foi convidada pela direção do Instituto de Cegos Padre Chico, em São Paulo, para dar aulas às crianças que eram assistidas pela entidade. O convite a pegou de surpresa e, inicialmente, ela pensou em não aceitar, especialmente pela falta de experiência como professora. Foram os pais que a convenceram do contrário. “Eles me disseram ‘filha, nunca diga não para um desafio, pois são sempre desses desafios que partem os maiores ensinamentos que temos nas nossas vidas’”, relembra, em entrevista ao jornal El País.

No primeiro dia de aula, ao ensinar o primeiro passo, o echappé sauté, ela se deparou com a primeira dificuldade. “Pra ficar mais fácil o processo de ensino e aprendizagem, eu disse a elas: imaginem que vocês estão saltando fora de um balde e depois dentro de um balde. Aí, para a minha surpresa, uma aluna levantou a mão e disse ‘tia, mas o que é um balde? Eu nunca vi”, recorda Fernanda.

Naquele momento, ela percebeu que, antes de apresentar o universo do ballet para as alunas, ela precisava adentrar e entender o mundo dos deficientes visuais. Foi com isso em mente que ela desenvolveu uma metodologia própria de ensino de ballet para deficientes. A iniciativa se tornou referência mundial e tem como base o toque e a repetição de movimentos.  Um exemplo: em suas aulas, as alunas tocam o corpo dos professores para entenderem as posições do ballet e os saltos são iniciados com elas deitadas, com as pernas para cima.

Com a proposta de inserir cada vez mais deficientes visuais no mundo do ballet, ela fundou, em 1995, a Associação Fernanda Bianchini – Cia Ballet de Cegos (AFB), a única escola de ballet para pessoas com deficiência visual do mundo. A entidade conta hoje com 350 alunos e tem mais de 100 pessoas na lista de espera. A maioria dos alunos é portadora de deficiência visual completa ou parcial, mas a companhia também trabalha com alunos com deficiência auditiva e intelectual e está desenvolvendo uma metodologia para ministrar aulas de ballet para cadeirantes.

As aulas são gratuitas e, por conta disso, a escola é mantida por doações de empresas e de pessoas que acreditam no projeto e também por palestras ministradas por Fernanda para falar sobre a Associação e sobre o método desenvolvido por ela. Com mais de duas décadas de história, a companhia já se apresentou em palcos brasileiros e de países como Argentina, Alemanha e EUA e participou da cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012. Também inspirou o documentário Olhando paras as Estrelas, de Alexandre Peralta, que registra os ensaios, as aulas e o cotidiano de duas bailarinas da companhia.

A exemplo da icônica Alicia Alonso, que, mesmo perdendo a visão, nunca abandonou os palcos, as alunas da companhia são exemplos reais do poder de superação do ballet. Vê-las dançando clássicos do ballet de repertório, como O Quebra-Nozes, Copélia, Dom Quixote e A Bela Adormecida é arrepiante, emocionante e inesquecível. Uma verdadeira lição de vida, bailarinas!

Nunca deixe de sonhar

NUNCA DEIXE DE SONHAR!

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NUNCA DEIXE DE SONHAR!  

A britânica Doreen Pechey sempre quis estudar ballet, mas as dificuldades financeiras da família a impediram de realizar o seu sonho quando criança. Adulta, ela se formou em Engenharia Elétrica e dedicou boa parte de sua vida ao exercício da profissão. O sonho de bailarina ficou adormecido.

Quando completou 61 anos e estava prestes a se aposentar, ela finalmente enxergou a possibilidade resgatar o sonho antigo. Incentivada pela sobrinha, professora de ballet, ela dedicou os últimos dez anos ao estudo da dança, inicialmente ao lado de colegas mais velhos como ela e depois em aulas particulares, realizadas três vezes por semana. Nem uma inesperada cirurgia para implantar uma prótese no joelho foi capaz de fazê-la desistir do seu objetivo.

Tanto empenho fez com que ela, aos 71 anos, fosse admitida na consagrada Royal Academy of Dance de Londres e se tornasse a bailarina mais velha da centenária instituição. Doreen prestou o exame de sexto grau da academia, mais focado na interpretação do que na técnica, e agora exibe com orgulho a carteirinha de bailarina amadora. Na cozinha de casa onde mora com o marido Bill, ela instalou uma barra para treinar todos os dias e se preparar para as avaliações da escola. “Quero que os idosos percebam que podem fazer muitas coisas, como aprender a dançar”, declarou.

Desde que começou a fazer ballet, Doreen afirma se sentir mais flexível e autoconfiante e que a dança a ajudou, inclusive, a se recuperar da cirurgia no joelho. Ela certamente não se tornará uma bailarina profissional, mas com certeza nos trouxe duas importantes lições de vida: a de nunca podemos desistir dos nossos sonhos e a de que dentro de uma trajetória mais importante que o fim da jornada são as surpresas do caminho a ser percorrido.

Foto: Emma Sheppard/INS News Agency Ltd