QUANDO A ARTE IMITA A VIDA

By December 21, 2017Journal
Ryoichi Hirano

QUANDO A ARTE IMITA A VIDA

O filme Billy Elliot (2000), conta a história de um menino inglês de 11 anos que enfrenta a resistência de sua família diante da paixão dele pela dança. Depois do incansável esforço de sua professora de ballet para que ele consiga ser de fato um dançarino, o garoto vence obstáculos e torna-se um brilhante bailarino. Essa história poderia ser facilmente do japonês Ryoichi Hirano, mas, ao contrário da personagem Elliot, Hirano encontrou em sua família o apoio necessário para fazer a sua trajetória no mundo da dança.

Nascido em Osaka, província do Japão, Ryoichi Hirano é um dos poucos bailarinos nipônicos a ser escolhido como o mais prestigiado artista na companhia inglesa The Royal Ballet. Ao lado de seu irmão mais velho, o também bailarino Keiichi Hirano, primeiro solista do National Ballet of Canada, Ryoichi desde cedo treinou em um estúdio de dança que ficava perto de sua casa. “Era apenas o meu irmão e eu a maior parte do tempo. Alguns garotos vieram por um ou dois anos, mas depois desistiram. Nós fomos os únicos que continuaram”.

No Japão, o ballet sempre foi considerado um passatempo incomum para os meninos, mas isso não desencorajou Hirano de prosseguir com a dança, apesar do ballet não ser considerado um título de trabalho no país e sim um hobby. “As pessoas que estão em companhias de ballet ainda lutam porque não podem ganhar o suficiente para viver, precisam, na maioria dos casos, ter um segundo emprego”, relata Hirano.

Em 2001, com o intuito de se aperfeiçoar, mudou-se para a Suíça para participar da prestigiada Prix de Lausanne, uma das melhores competições de dança do mundo para bailarinos. Ganhou a medalha de ouro e, com esta conquista, conseguiu entrar no Royal Ballet, no ano seguinte. Desde então, Hirano se dedicou incansavelmente para se tornar o primeiro solista da companhia, em 2012, e, em 2016, tornou-se diretor artístico do grupo inglês, aos 32 anos de idade.

O japonês, que é considerado um excelente observador, adquiriu habilidades analisando seus superiores e adotando-as como suas. A sua grande influência vem do seu irmão Keiichi e, do agora tutor, Jonathan Cope, lendário bailarino britânico, do Royal Ballet. “Ele é realmente impressionante. Tudo o que ele faz é muito elegante”, entusiasma-se Hirano.

De influenciado a influenciador, Hirano tenta usar da melhor forma o seu prestígio em seu país. Deseja atuar como um “remodelador de percepções” de bailarinos masculinos no Japão, bem como o apoio daqueles que tentam seguir seus passos. “O meu desejo é que eles possam dizer ‘eu sou dançarino de ballet, esse é o meu trabalho’ e para o governo considerá-los como bailarinos, não como alguém sem emprego”, explica ele. “Quero que eles tenham uma renda regular e tenham apoio para poderem se aperfeiçoar”, declara o artista.

Interpretando no palco desde príncipes de clássicos do ballet de repertório até androides, Ryoichi Hirano é um bailarino completo e multifacetado, com espetáculos sempre elogiados pelo público e pela crítica, e motivo de orgulho para a sua família. Assim como o personagem Billy Elliot, o garoto que andava sapateando pela cidade fictícia de Everington.

Foto: Alice Pennefather

 

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