O BALLET COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

By December 19, 2017Journal
Ballet de Paraisópolis

O BALLET COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Eu acredito no poder da arte, especialmente do ballet, e hoje quero apresentar para vocês um trabalho lindo desenvolvido em São Paulo que tem utilizado a dança como uma ferramenta poderosa de mudança de vida. Trata-se do Ballet Paraisópolis, projeto criado em 2012 pela bailarina e coreógrafa Mônica Tarragó com o objetivo de inserir crianças e adolescentes da segunda maior comunidade da cidade no universo do ballet clássico. Moradora do Morumbi, bairro que faz divisa com Paraisópolis, ela se motivou a montar o programa quando soube que dois alunos bolsistas moradores do Jardim Ângela (outro bairro da periferia paulistana) haviam sido aceitos no respeitado Teatro Bolshoi do Brasil. “Ali começou a vontade de ajudar crianças que eu conseguia ver da janela do meu apartamento”, contou em entrevista ao portal IG. A história dela, inclusive, serviu de inspiração para a personagem Isolda, da novela I Love Paraisópolis, da Rede Globo, interpretada pela atriz Françoise Forton.

O projeto conta com 300 alunos inscritos, de oito a 16 anos, e tem 800 nomes na fila de espera. Para ser aceito no programa, o candidato tem de atender a duas exigências: estar matriculado na escola e ter 100% de frequência. As aulas de ballet acontecem de segunda a sexta-feira e têm duração de uma hora. Em dois sábados de cada mês, são realizados ensaios gerais. Após oito anos de curso, os alunos se formam bailarinos amadores e podem integrar companhias de dança e dar continuidade aos estudos e à carreira no ballet ou se tornarem mentores do projeto – a primeira turma será formada em 2020.

Ao longo de cinco anos de existência, o grupo especial do Ballet Paraisópolis, composto por 21 alunos, já se apresentou em lugares como o CEU Paraisópolis, o Teatro Elis Regina, o Tribunal de Justiça de São Paulo, o Auditório do Ibirapuera e até mesmo o Palácio dos Bandeirantes. Neste ano, o projeto teve um de seus alunos (David Rocha, de doze anos) selecionado para participar do Meia Ponta, a mostra competitiva do Festival de Dança de Joinville, o maior da América Latina, para estudantes de dez a 12 anos. Morador de uma das partes mais carentes de Paraisópolis, David dançou o Pas Paysan, variação presente no primeiro ato de Giselle, um clássico do ballet de repertório, e passou um ano inteiro ensaiando os 60 segundos do solo. “A dança deu uma nova chance e quero acreditar que ele terá um futuro melhor”, disse Patrícia, mãe de David, também em entrevista ao portal IG.

A seleção de David motivou Mônica a criar o Projeto Joinville, que possibilitará a captação de recursos para que mais alunos tenham a mesma oportunidade que ele teve. O Ballet Paraisópolis conta com o apoio da União dos Moradores e Comércio de Paraisópolis e com incentivos do Programa Nacional de Apoio à cultura (PRONAC). Além disso, teve duas novas propostas de ação aprovadas pelo Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo (ProAC) e pela Lei Rouanet. Essas iniciativas (em fase de captação de recursos) garantirão aos alunos o material de dança (sapatilhas, collant, meias, entre outros) e os profissionais (coreógrafo, figurinista, psicólogo, entre outros) necessários para a prática do ballet. O objetivo da idealizadora do projeto é atrair cada vez mais patrocinadores para poder transformar a vida de pelo menos dez mil crianças e adolescentes moradoras da região. Vida longa a essa linda iniciativa e ao poder transformador do ballet!

Foto: Marcelo Brandt/G1

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