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YANG LIPING, A PRINCESA DO PAVÃO

By December 12, 2017Journal
Yang Liping

YANG LIPING, A PRINCESA DO PAVÃO

Poucas pessoas têm a habilidade de explicar as raízes de sua arte de forma plausível. A coreógrafa e bailarina Yang Liping, definitivamente, é uma delas. A sensibilidade do olhar da chinesa, nascida na cidade de Dalí, Província de Yunnan, vem da observação, reflexão e do comprometimento da sua vivência com o ambiente, “Minha dança não e algo que eu aprendi de alguém. Meu mentor é a natureza e eu aprendo assistindo a natureza”, afirma a bailarina.

Com 59 anos, Yang engana o espectador à primeira vista. Com os seus 1.65 de altura, jeito reservado e aparência frágil, a mais velha de quatro filhos foi criada com seus pais e avós em uma atmosfera onde cantar e dançar eram uma parte de suas vidas. “Lembro claramente, quando tinha 6 anos, de acordar e ouvir a voz da minha avó. Meu avô morreu e ela cantou o dia todo os detalhes de sua vida junto dele. Esta era a nossa vida. Minha família adorava cantar e dançar”, conta a artista.

Desde cedo, Liping se interessou pela dança. Aos 11 anos, depois que a família se mudou para Xishuangbanna, uma região no sul de Yunnan, ela se juntou a uma trupe local de dança e se apaixonou pela dança popular que imita os movimentos de um pavão, um totem do povo Bai, minoria étnica da China. Com 20 anos, mudou-se para Pequim e ingressou no Ensino Canção e Dança das Nacionalidade Centrais da China, grupo que representa minorias étnicas do país pelo mundo e preserva as tradições regionais da dança.

Observadora nata, a coreógrafa, que na época era apenas uma curiosa estudante, reformulou à sua maneira, o espetáculo The Spirit of the Peacock (O Espírito do Pavão), com movimentos habilidosos dos braços e dos dedos. Com essa coreografia, ganhou seu primeiro prêmio em uma competição nacional, em 1986, promovido pelo governo chinês. Desde então, ela se tornou a Princesa do Pavão aos olhos do seu povo. O contato que teve com o grupo a fez a ter um pequeno treinamento informal, e surgiu nela a preferência pela dança popular na dança moderna, que ela associa à expressão de angústia e dor. “Minhas danças mostram o belo lado da vida”, diz ela.

Depois de levantar dinheiro suficiente para produzir e executar muitas peças de dança étnica tradicional, entre 2004 e 2009 a artista dirigiu e coreografou a trilogia Dynamic Yunnan, Echoes of Shangri-la e Tibetan Myth. Para preparar o espetáculo Dynamic Yunnan, um drama de dança épico que faz uma representação panorâmica da colorida vida das pessoas étnicas na província de Yunnan, Yang viajou por 26 vilas remotas de Yunnan, onde estudou danças locais, gravou músicas folclóricas e recrutou dezenas de jovens de grupos étnicos minoritários. Lá, encontrou os ritmos populares de agricultores e aldeões que pareciam ter uma aptidão natural para canção e dança. “Nessas aldeias, as pessoas têm canções e danças para cada evento. Quando felizes, na época da colheita, quando se casam ou quando estão de luto”, declarou Liping. “Não é uma escolha, é um estilo de vida”.

Após a estreia, a peça foi encenada mais de 4.000 vezes na China, Europa e Estados Unidos. As danças de Yang possuem sempre um toque lírico, que muitas vezes abandonam a realidade trivial. O que é visto em suas danças são vários movimentos que formam silhuetas de uma árvore, um peixe, um pássaro ou uma cobra. Sua performance convida o público a viajar para um país de conto de fadas, com pássaros cantando e animais correndo, dando vida a essas criaturas por meio do emocional e da linguagem corporal. Quando perguntada se suas performances oferecem qualquer mensagem, Yang é direta: “Eu não penso em mensagens. Eu simplesmente amo dançar. É a minha natureza”.

Foto: Luo Xiaoguang

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