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PINA, A DAMA DO DANÇA-TEATRO

By December 5, 2017Journal
Pina Bausch

PINA, A DAMA DO DANÇA-TEATRO

Quando se trata de originalidade no universo da dança, não há como não falar de Phillipine Bausch, mais conhecida como Pina Bausch, a bailarina e coreógrafa que quebrou regras, criou uma nova linguagem e se posicionou frente ao tradicionalismo do ballet clássico. Nascida em 1940 na cidade de Solingen, na Alemanha, Pina se interessou pela arte da dança ainda na infância. As primeiras apresentações lúdicas com ballet infantil ocorreram nas cidades de Wuppertal e Essen. Aos 15 anos, iniciou sua formação na Escola de Ballet Folkwang, fundada pelo célebre precursor da dança-teatro Kurt Joos. “Ele era como um pai, um homem muito amável, cheio de humor e alegria pelas coisas, pelas pessoas. Sabia muito sobre história, música e teatro.”, disse Pina, certa vez.

Concluiu o curso de Dança e Pedagogia em Dança na Escola de Ballet Folkwang no ano de 1958 e aos 19 anos foi uma das poucas estudantes alemãs a conseguir uma bolsa de estudos na Juilliard School, em Nova York, nos Estados Unidos. Lá, vivenciou um intenso movimento de dança moderna, trabalhando com coreógrafos renomados como José Limon, Antony Tudor, Alfredo Corvino, dentre outros grandes nomes. Tornou-se membro do Ballet de Nova York e do Metropolitan Opera Ballet, mas foi a cidade de Nova York em si, com suas multifaces e estilos de vida, que a impressionou fortemente. “Nova York é como uma selva, mas, ao mesmo tempo, dá um sentimento de liberdade total. Em dois anos, me encontrei”, afirmou.

No ano de 1962, a pedido de Kurt Joos, retornou à Alemanha e ingressou como solista no Ballet de Folwang. Com suas primeiras encenações bem-sucedidas de teatro-dança (influencia direta de Joos), passou rapidamente do posto de coreógrafa para diretora do corpo de baile. Aos 33 anos, assumiu a alcunha Pina Bausch com a qual se tornou mundialmente conhecida.

O “Teatro-Dança”, estilo que ela optou seguir, tem como definição a união genuína da dança com alguns elementos do teatro, criando uma nova e única forma de arte na qual a maior referência é a realidade humana. O termo também foi utilizado entre as décadas de 1910 e 1920 por membros do Movimento Expressionista, que pretendiam distanciar a dança contemporânea do ballet clássico – por isso o foco na representação.

A ousadia de vanguarda da jovem coreógrafa inicialmente chocou o público. Como o que ocorria no palco muitas vezes não era aquilo que constava no programa impresso, a plateia expressava sua indignação vaiando ou retirando-se do recinto. O tempo, contudo, consagrou a  artista e seus trabalhos passaram a emocionar plateias no mundo inteiro.

Sua atuação marcante deu origem a inúmeras pesquisas, livros, fotos, dissertações, filmes e documentários, como o do diretor Win Wenders, que fez uma homenagem póstuma em Pina (2011). Fã declarado da artista, o diretor espanhol Pedro Almodóvar fez questão de incluir a bailarina em seu filme Fale com Ela (2002) – nele, Pina reproduz o espetáculo Café Müller (1978).  O longa também conta com a participação de Caetano Veloso, que também foi amigo da bailarina.

Em mais de cinco décadas de carreira, Pina atuou em mais de 45 espetáculos, sendo os mais conhecidos Orpheu e Eurydice (1975), Café Muller (1978) Bandoneon (1980), Neiken (1982), Mazurca Fogo (1998) e Aqua (2001), pensado a partir do Brasil e tendo como base a experiência da coreógrafa com os cinco sentidos e a comunicação informal do brasileiro. Em julho de 2009, ela foi diagnóstica com câncer e faleceu uma semana depois em decorrência da doença. Com seu jeito quieto, introvertido, sempre com o cigarro entre os seus longos dedos, ela revolucionou a história do ballet ocidental e será eternamente lembrada como a grande dama do dança-teatro.

 

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