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December 2017

Ballet Nacional de Cuba

A FORÇA E O VIGOR ARTÍSTICO DO BALLET CLÁSSICO CUBANO

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A FORÇA E O VIGOR ARTÍSTICO DO BALLET CLÁSSICO CUBANO

O Ballet Nacional de Cuba é, sem dúvida, umas das grandes companhias de dança do mundo. A sua reabertura, em 1960, após a Revolução Cubana, está totalmente ligada à história de importante personalidade da cultura do país, a bailarina e coreógrafa Alicia Alonso. Antes de ser o Ballet Nacional de Cuba, a instituição era apenas uma companhia de dança chamada Ballet Alicia Alonso, capitaneada por Alicia e seu marido, Fernando Alonso.

Máxima expressão da escola cubana de ballet, o BNC, como é conhecido, é reconhecido mundialmente pelo rigor artístico e técnico de seus bailarinos e pela concepção estética de seus coreógrafos na montagem de ballets de repertório, como Giselle, O Lago dos Cisnes, Coppélia Dom Quixote.

Para se diferenciar de outras grandes escolas pelo mundo, um grupo de bailarinos e coreógrafos experientes criaram o Método Cubano de Ballet Clássico, reconhecido pela sua técnica vigorosa, limpa e precisa. A metodologia foi criada tendo como base o tipo físico, a musicalidade e a expressão corporal latina. Os trabalhos de giros, saltos e baterias com vigor, velocidade, dinamismo e amplitude são algumas características do método, que tornam os bailarinos conhecidos por sua agilidade e grande força no palco.

Anualmente, o BNC monta e apresenta os principais ballets de repertório, sempre a preços populares, para os habitantes de Havana, que invariavelmente lotam as plateias. Ao mesmo tempo, a companhia não deixa de prestigiar as obras de autores cubanos, permitindo uma constante renovação do fluxo criativo entre os artistas locais.

Foto: Santiago Barreiro

Ryoichi Hirano

QUANDO A ARTE IMITA A VIDA

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QUANDO A ARTE IMITA A VIDA

O filme Billy Elliot (2000), conta a história de um menino inglês de 11 anos que enfrenta a resistência de sua família diante da paixão dele pela dança. Depois do incansável esforço de sua professora de ballet para que ele consiga ser de fato um dançarino, o garoto vence obstáculos e torna-se um brilhante bailarino. Essa história poderia ser facilmente do japonês Ryoichi Hirano, mas, ao contrário da personagem Elliot, Hirano encontrou em sua família o apoio necessário para fazer a sua trajetória no mundo da dança.

Nascido em Osaka, província do Japão, Ryoichi Hirano é um dos poucos bailarinos nipônicos a ser escolhido como o mais prestigiado artista na companhia inglesa The Royal Ballet. Ao lado de seu irmão mais velho, o também bailarino Keiichi Hirano, primeiro solista do National Ballet of Canada, Ryoichi desde cedo treinou em um estúdio de dança que ficava perto de sua casa. “Era apenas o meu irmão e eu a maior parte do tempo. Alguns garotos vieram por um ou dois anos, mas depois desistiram. Nós fomos os únicos que continuaram”.

No Japão, o ballet sempre foi considerado um passatempo incomum para os meninos, mas isso não desencorajou Hirano de prosseguir com a dança, apesar do ballet não ser considerado um título de trabalho no país e sim um hobby. “As pessoas que estão em companhias de ballet ainda lutam porque não podem ganhar o suficiente para viver, precisam, na maioria dos casos, ter um segundo emprego”, relata Hirano.

Em 2001, com o intuito de se aperfeiçoar, mudou-se para a Suíça para participar da prestigiada Prix de Lausanne, uma das melhores competições de dança do mundo para bailarinos. Ganhou a medalha de ouro e, com esta conquista, conseguiu entrar no Royal Ballet, no ano seguinte. Desde então, Hirano se dedicou incansavelmente para se tornar o primeiro solista da companhia, em 2012, e, em 2016, tornou-se diretor artístico do grupo inglês, aos 32 anos de idade.

O japonês, que é considerado um excelente observador, adquiriu habilidades analisando seus superiores e adotando-as como suas. A sua grande influência vem do seu irmão Keiichi e, do agora tutor, Jonathan Cope, lendário bailarino britânico, do Royal Ballet. “Ele é realmente impressionante. Tudo o que ele faz é muito elegante”, entusiasma-se Hirano.

De influenciado a influenciador, Hirano tenta usar da melhor forma o seu prestígio em seu país. Deseja atuar como um “remodelador de percepções” de bailarinos masculinos no Japão, bem como o apoio daqueles que tentam seguir seus passos. “O meu desejo é que eles possam dizer ‘eu sou dançarino de ballet, esse é o meu trabalho’ e para o governo considerá-los como bailarinos, não como alguém sem emprego”, explica ele. “Quero que eles tenham uma renda regular e tenham apoio para poderem se aperfeiçoar”, declara o artista.

Interpretando no palco desde príncipes de clássicos do ballet de repertório até androides, Ryoichi Hirano é um bailarino completo e multifacetado, com espetáculos sempre elogiados pelo público e pela crítica, e motivo de orgulho para a sua família. Assim como o personagem Billy Elliot, o garoto que andava sapateando pela cidade fictícia de Everington.

Foto: Alice Pennefather

 

Ballet de Paraisópolis

O BALLET COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

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O BALLET COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Eu acredito no poder da arte, especialmente do ballet, e hoje quero apresentar para vocês um trabalho lindo desenvolvido em São Paulo que tem utilizado a dança como uma ferramenta poderosa de mudança de vida. Trata-se do Ballet Paraisópolis, projeto criado em 2012 pela bailarina e coreógrafa Mônica Tarragó com o objetivo de inserir crianças e adolescentes da segunda maior comunidade da cidade no universo do ballet clássico. Moradora do Morumbi, bairro que faz divisa com Paraisópolis, ela se motivou a montar o programa quando soube que dois alunos bolsistas moradores do Jardim Ângela (outro bairro da periferia paulistana) haviam sido aceitos no respeitado Teatro Bolshoi do Brasil. “Ali começou a vontade de ajudar crianças que eu conseguia ver da janela do meu apartamento”, contou em entrevista ao portal IG. A história dela, inclusive, serviu de inspiração para a personagem Isolda, da novela I Love Paraisópolis, da Rede Globo, interpretada pela atriz Françoise Forton.

O projeto conta com 300 alunos inscritos, de oito a 16 anos, e tem 800 nomes na fila de espera. Para ser aceito no programa, o candidato tem de atender a duas exigências: estar matriculado na escola e ter 100% de frequência. As aulas de ballet acontecem de segunda a sexta-feira e têm duração de uma hora. Em dois sábados de cada mês, são realizados ensaios gerais. Após oito anos de curso, os alunos se formam bailarinos amadores e podem integrar companhias de dança e dar continuidade aos estudos e à carreira no ballet ou se tornarem mentores do projeto – a primeira turma será formada em 2020.

Ao longo de cinco anos de existência, o grupo especial do Ballet Paraisópolis, composto por 21 alunos, já se apresentou em lugares como o CEU Paraisópolis, o Teatro Elis Regina, o Tribunal de Justiça de São Paulo, o Auditório do Ibirapuera e até mesmo o Palácio dos Bandeirantes. Neste ano, o projeto teve um de seus alunos (David Rocha, de doze anos) selecionado para participar do Meia Ponta, a mostra competitiva do Festival de Dança de Joinville, o maior da América Latina, para estudantes de dez a 12 anos. Morador de uma das partes mais carentes de Paraisópolis, David dançou o Pas Paysan, variação presente no primeiro ato de Giselle, um clássico do ballet de repertório, e passou um ano inteiro ensaiando os 60 segundos do solo. “A dança deu uma nova chance e quero acreditar que ele terá um futuro melhor”, disse Patrícia, mãe de David, também em entrevista ao portal IG.

A seleção de David motivou Mônica a criar o Projeto Joinville, que possibilitará a captação de recursos para que mais alunos tenham a mesma oportunidade que ele teve. O Ballet Paraisópolis conta com o apoio da União dos Moradores e Comércio de Paraisópolis e com incentivos do Programa Nacional de Apoio à cultura (PRONAC). Além disso, teve duas novas propostas de ação aprovadas pelo Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo (ProAC) e pela Lei Rouanet. Essas iniciativas (em fase de captação de recursos) garantirão aos alunos o material de dança (sapatilhas, collant, meias, entre outros) e os profissionais (coreógrafo, figurinista, psicólogo, entre outros) necessários para a prática do ballet. O objetivo da idealizadora do projeto é atrair cada vez mais patrocinadores para poder transformar a vida de pelo menos dez mil crianças e adolescentes moradoras da região. Vida longa a essa linda iniciativa e ao poder transformador do ballet!

Foto: Marcelo Brandt/G1

Lesões

COMO EVITAR LESÕES NA PRÁTICA DO BALLET

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COMO EVITAR LESÕES NA PRÁTICA DO BALLET

O ballet é uma arte de muita disciplina e que exige absoluta precisão dos movimentos para garantir uma linda performance. Essa busca pela perfeição demanda um enorme esforço físico e deixa os bailarinos sujeitos a sofrerem lesões.

As partes mais comuns de serem lesionadas são os pés, joelhos e pernas e variam desde as mais simples, como o joanete (muitas vezes causado pelo uso de uma sapatilha de ponta) ou a tendinite (comumente causada pela falta de pratica e técnica ou por impactos fortes, no caso da tendinite patelar, por exemplo) até as mais sérias (por motivo de quedas ou colisões).

Como forma de prevenção, os bailarinos e bailarinas podem adotar hábitos que preservem a integridade de seus corpos. Os mais conhecidos são os indispensáveis aquecimento e alongamento, afinal um corpo fatigado se lesiona muito mais facilmente. É interessante também começar a praticar esportes ou atividades físicas que exercitem grupos musculares que a dança não trabalha.

Outra indicação importante é alimentar-se adequadamente, respeitar os períodos de descanso e não forçar o corpo excessivamente caso ele não esteja preparado para isso. Quando não tratadas da maneira correta, as lesões podem avançar para quadros mais críticos. Por isso é importante procurar ajuda médica especializada e seguir todas as recomendações. Vamos dançar, bailarinas, mas sempre com segurança!

Yang Liping

YANG LIPING, A PRINCESA DO PAVÃO

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YANG LIPING, A PRINCESA DO PAVÃO

Poucas pessoas têm a habilidade de explicar as raízes de sua arte de forma plausível. A coreógrafa e bailarina Yang Liping, definitivamente, é uma delas. A sensibilidade do olhar da chinesa, nascida na cidade de Dalí, Província de Yunnan, vem da observação, reflexão e do comprometimento da sua vivência com o ambiente, “Minha dança não e algo que eu aprendi de alguém. Meu mentor é a natureza e eu aprendo assistindo a natureza”, afirma a bailarina.

Com 59 anos, Yang engana o espectador à primeira vista. Com os seus 1.65 de altura, jeito reservado e aparência frágil, a mais velha de quatro filhos foi criada com seus pais e avós em uma atmosfera onde cantar e dançar eram uma parte de suas vidas. “Lembro claramente, quando tinha 6 anos, de acordar e ouvir a voz da minha avó. Meu avô morreu e ela cantou o dia todo os detalhes de sua vida junto dele. Esta era a nossa vida. Minha família adorava cantar e dançar”, conta a artista.

Desde cedo, Liping se interessou pela dança. Aos 11 anos, depois que a família se mudou para Xishuangbanna, uma região no sul de Yunnan, ela se juntou a uma trupe local de dança e se apaixonou pela dança popular que imita os movimentos de um pavão, um totem do povo Bai, minoria étnica da China. Com 20 anos, mudou-se para Pequim e ingressou no Ensino Canção e Dança das Nacionalidade Centrais da China, grupo que representa minorias étnicas do país pelo mundo e preserva as tradições regionais da dança.

Observadora nata, a coreógrafa, que na época era apenas uma curiosa estudante, reformulou à sua maneira, o espetáculo The Spirit of the Peacock (O Espírito do Pavão), com movimentos habilidosos dos braços e dos dedos. Com essa coreografia, ganhou seu primeiro prêmio em uma competição nacional, em 1986, promovido pelo governo chinês. Desde então, ela se tornou a Princesa do Pavão aos olhos do seu povo. O contato que teve com o grupo a fez a ter um pequeno treinamento informal, e surgiu nela a preferência pela dança popular na dança moderna, que ela associa à expressão de angústia e dor. “Minhas danças mostram o belo lado da vida”, diz ela.

Depois de levantar dinheiro suficiente para produzir e executar muitas peças de dança étnica tradicional, entre 2004 e 2009 a artista dirigiu e coreografou a trilogia Dynamic Yunnan, Echoes of Shangri-la e Tibetan Myth. Para preparar o espetáculo Dynamic Yunnan, um drama de dança épico que faz uma representação panorâmica da colorida vida das pessoas étnicas na província de Yunnan, Yang viajou por 26 vilas remotas de Yunnan, onde estudou danças locais, gravou músicas folclóricas e recrutou dezenas de jovens de grupos étnicos minoritários. Lá, encontrou os ritmos populares de agricultores e aldeões que pareciam ter uma aptidão natural para canção e dança. “Nessas aldeias, as pessoas têm canções e danças para cada evento. Quando felizes, na época da colheita, quando se casam ou quando estão de luto”, declarou Liping. “Não é uma escolha, é um estilo de vida”.

Após a estreia, a peça foi encenada mais de 4.000 vezes na China, Europa e Estados Unidos. As danças de Yang possuem sempre um toque lírico, que muitas vezes abandonam a realidade trivial. O que é visto em suas danças são vários movimentos que formam silhuetas de uma árvore, um peixe, um pássaro ou uma cobra. Sua performance convida o público a viajar para um país de conto de fadas, com pássaros cantando e animais correndo, dando vida a essas criaturas por meio do emocional e da linguagem corporal. Quando perguntada se suas performances oferecem qualquer mensagem, Yang é direta: “Eu não penso em mensagens. Eu simplesmente amo dançar. É a minha natureza”.

Foto: Luo Xiaoguang

Pina Bausch

PINA, A DAMA DO DANÇA-TEATRO

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PINA, A DAMA DO DANÇA-TEATRO

Quando se trata de originalidade no universo da dança, não há como não falar de Phillipine Bausch, mais conhecida como Pina Bausch, a bailarina e coreógrafa que quebrou regras, criou uma nova linguagem e se posicionou frente ao tradicionalismo do ballet clássico. Nascida em 1940 na cidade de Solingen, na Alemanha, Pina se interessou pela arte da dança ainda na infância. As primeiras apresentações lúdicas com ballet infantil ocorreram nas cidades de Wuppertal e Essen. Aos 15 anos, iniciou sua formação na Escola de Ballet Folkwang, fundada pelo célebre precursor da dança-teatro Kurt Joos. “Ele era como um pai, um homem muito amável, cheio de humor e alegria pelas coisas, pelas pessoas. Sabia muito sobre história, música e teatro.”, disse Pina, certa vez.

Concluiu o curso de Dança e Pedagogia em Dança na Escola de Ballet Folkwang no ano de 1958 e aos 19 anos foi uma das poucas estudantes alemãs a conseguir uma bolsa de estudos na Juilliard School, em Nova York, nos Estados Unidos. Lá, vivenciou um intenso movimento de dança moderna, trabalhando com coreógrafos renomados como José Limon, Antony Tudor, Alfredo Corvino, dentre outros grandes nomes. Tornou-se membro do Ballet de Nova York e do Metropolitan Opera Ballet, mas foi a cidade de Nova York em si, com suas multifaces e estilos de vida, que a impressionou fortemente. “Nova York é como uma selva, mas, ao mesmo tempo, dá um sentimento de liberdade total. Em dois anos, me encontrei”, afirmou.

No ano de 1962, a pedido de Kurt Joos, retornou à Alemanha e ingressou como solista no Ballet de Folwang. Com suas primeiras encenações bem-sucedidas de teatro-dança (influencia direta de Joos), passou rapidamente do posto de coreógrafa para diretora do corpo de baile. Aos 33 anos, assumiu a alcunha Pina Bausch com a qual se tornou mundialmente conhecida.

O “Teatro-Dança”, estilo que ela optou seguir, tem como definição a união genuína da dança com alguns elementos do teatro, criando uma nova e única forma de arte na qual a maior referência é a realidade humana. O termo também foi utilizado entre as décadas de 1910 e 1920 por membros do Movimento Expressionista, que pretendiam distanciar a dança contemporânea do ballet clássico – por isso o foco na representação.

A ousadia de vanguarda da jovem coreógrafa inicialmente chocou o público. Como o que ocorria no palco muitas vezes não era aquilo que constava no programa impresso, a plateia expressava sua indignação vaiando ou retirando-se do recinto. O tempo, contudo, consagrou a  artista e seus trabalhos passaram a emocionar plateias no mundo inteiro.

Sua atuação marcante deu origem a inúmeras pesquisas, livros, fotos, dissertações, filmes e documentários, como o do diretor Win Wenders, que fez uma homenagem póstuma em Pina (2011). Fã declarado da artista, o diretor espanhol Pedro Almodóvar fez questão de incluir a bailarina em seu filme Fale com Ela (2002) – nele, Pina reproduz o espetáculo Café Müller (1978).  O longa também conta com a participação de Caetano Veloso, que também foi amigo da bailarina.

Em mais de cinco décadas de carreira, Pina atuou em mais de 45 espetáculos, sendo os mais conhecidos Orpheu e Eurydice (1975), Café Muller (1978) Bandoneon (1980), Neiken (1982), Mazurca Fogo (1998) e Aqua (2001), pensado a partir do Brasil e tendo como base a experiência da coreógrafa com os cinco sentidos e a comunicação informal do brasileiro. Em julho de 2009, ela foi diagnóstica com câncer e faleceu uma semana depois em decorrência da doença. Com seu jeito quieto, introvertido, sempre com o cigarro entre os seus longos dedos, ela revolucionou a história do ballet ocidental e será eternamente lembrada como a grande dama do dança-teatro.