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O CORPO E O ESPAÇO DO VAZIO

By November 28, 2017Journal
O CORPO E O ESPAÇO DO VAZIO

O CORPO E O ESPAÇO DO VAZIO  

Hoje eu quero falar com vocês sobre o filme Pendular, segundo longa-metragem da diretora Julia Murat. Eleito pela Federação Internacional de Críticos (Fipresci) como o melhor filme da principal seleção paralela do Festival de Berlim, a Panorama, a produção conta a história de um casal em conflito.

Nenhum dos dois personagens tem nome e são apresentados na película apenas como ELE, um escultor em busca de espaço para suas obras, e ELA, uma bailarina que trabalha o corpo e a utilização do espaço vazio. Morando juntos em um galpão, os dois artistas observam a arte e a sua intimidade se misturarem até não conseguirem mais distinguir uma coisa de outra.

Para tentar demonstrar suas emoções diante da situação, cada um recorre à sua expressão artística. E foi justamente a forma como a dança é utilizada no filme que me chamou a atenção. Tudo acontece de forma orgânica. Ela está lendo um livro e começa a brincar com a cadeira em que está sentada e esse movimento comum e natural, de repente, se transforma em dança.

Essa criação orgânica dos movimentos, a partir de ações do cotidiano e também dos trabalhos criados pelos atores durante os ensaios, tem relação direta com algumas das inspirações do filme – a performance The Other: Rest Energy (1980), da artista sérvia Marina Abramovic, e a coreografia Leaning Duets, da estadunidense Trisha Brown, uma das precursoras da dança pós-moderna.

Com coreografias incríveis, a forma como a historia é contada faz com que o telespectador tenha de construir as personagens no desenrolar da trama. Os métodos escolhidos no longa (como a câmera acompanhando os artistas, seguindo o movimento de seus corpos, dançando junto com os atores) ajudam nessa tarefa de uma forma linda.

A diretora diz que escolheu a escultura e a dança como elementos artísticos do seu filme por acreditar que eles constroem mais sentimentos do que discursos. Fundindo cinema, escultura e dança, Pendular se configura em um filme de poucos diálogos que utiliza do movimento e da interação das personagens entre elas e com o espaço em si para representar os dramas e vivencias inerentes a qualquer ser humano. Super recomendo!

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