TRISHA BROWN, A MUSA DA DANÇA PÓS-MODERNA

By November 7, 2017Journal
TRISHA BROWN, A MUSA DA PÓS-MODERNIDADE

TRISHA BROWN, A MUSA DA DANÇA PÓS-MODERNA

“Eu gosto de conhecer os limites do meu espaço para poder violá-lo”. A frase, dita em 1997 por Trisha Brown, em entrevista ao jornal Los Angeles Times, nos ajuda a entender um pouco do trabalho dessa magnífica bailarina e coreógrafa que ajudou a formar gerações de profissionais.

Considerada um dos maiores nomes do movimento pós-moderno da dança nos EUA, ela defendia que os movimentos deviam ser mais naturais e próximos do cotidiano e desenvolvia coreografias em locais pouco prováveis, como estacionamentos ou coberturas de prédios, por exemplo.

Natural do Texas, ela fez de Nova York (cidade que amo) o grande palco para o desenvolvimento do seu trabalho, a partir da década de 1960, sempre questionador e com viés político. Foi uma das pioneiras a refletir sobre a mistura de dança com artes visuais e performance (juntamente com nomes como Yvonne Rainer e Lucinda Childs)

Em 1970, fundou sua companhia de dança, batizada com seu nome, que, durante anos, desenvolveu projetos que colocaram a dança como um movimento que reflete as questões políticas e sociais do seu tempo. Roof Piece, de 1971, por exemplo, trouxe dançarinos vestidos de vermelho que se apresentavam no topo dos telhados do Soho, em Nova York.

Em 1979, ela apresentou Glacial Decoy, seu primeiro trabalho realizado em um palco tradicional e um dos primeiros a utilizar o silêncio como elemento base. Mas Set and Reset, de 1983, é a coreografia mais marcante criada por ela. Realizado em colaboração com Robert Rauschenberg e Laurie Anderson, o trabalho resultou no grupo de dança Unstable Molecular Cycle, cujas coreografias revolucionárias eram improvisadas e baseadas na memória dos dançarinos.

Apesar do expressivo sucesso de crítica e público, Trisha não gostava de dar entrevistas e preferia falar sobre o seu trabalho e sobre suas ideias através de suas performances. Dançou profissionalmente pela última vez em 2008 em I Love My Robots, espetáculo realizado em parceria com Kenjiro Okazaki e Laurie Anderson.

Em 2011, apresentou sua última criação enquanto coreógrafa, I’m Going to Toss My Arms – If You Catch Then They’re Yours. Morreu neste ano, aos 80 anos, em seu estado natal, e deixou um legado eterno para a dança mundial. Sem dúvida uma grande inspiração pra mim 🙂

Foto: Lois Greenfield

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