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ALICIA ALONSO, A BAILARINA DA SUPERAÇÃO

By October 17, 2017Journal
ALICIA ALONSO, A BAILARINA DA SUPERAÇÃO

ALICIA ALONSO, A BAILARINA DA SUPERAÇÃO

“Não há vida fora do palco. Sem isso, não vivo”, disse certa vez Alicia Alonso quando questionada sobre sua relação com a dança. Agraciada com o título de Prima Ballerina Assoluta, honraria máxima dentro do universo do ballet, ela é considerada uma lenda viva da dança.

Nascida em Cuba, em 1920, se mudou com a família ainda pequena para a Espanha, quando teve os primeiros contatos com o universo do ballet. Aos 11 anos, retornou à sua terra natal e começou a ministrar aulas de ballet na Sociedade Pró-Arte Musical por incentivo de Nikolai Yavorsky, um militar que era apaixonado por ballet, mas tinha poucos conhecimentos técnicos sobre a dança.

Ainda adolescente, se mudou para os EUA onde se formou na School of American Ballet de Nova York tendo como mestres nomes como Enrico Zanfretta e Fedorova Alexandra.  Iniciou sua vida profissional na Broadway e, posteriormente, passou a integrar o quadro de bailarinos da New York City Ballet.

Aos 20 anos, quando havia começado a atuar como solista no American Ballet Theatre (ABT), teve um deslocamento das retinas de ambos os olhos, passou por uma série de cirurgias e ficou afastada por um ano. Durante esse período, iniciou um tratamento à base de corticóide que lhe fazia ganhar peso e comprometia o seu retorno aos palcos.

Em nome da sua paixão pelo ballet, ela decidiu parar de tomar os remédios, mesmo sabendo das consequências para a sua visão, e, enxergando apenas sombras, ela passou a se apresentar guiada apenas pela iluminação do palco e pela sintonia cênica com os seus parceiros de dança.

Sua perfeição técnica e total entrega no palco colocaram o seu nome em evidência. Em 1943, se tornou a primeira bailarina latino-americana a interpretar a protagonista em Giselle no Metropolitan Opera House, em Nova York. Sua interpretação, por sinal, tornou-se épica e serve até hoje de modelo para outras bailarinas. “Ela não fazia Giselle, ela era Giselle”, disse certa vez o coreógrafo francês Maurice Béjart.

Ao lado do marido, Fernando Alonso, fundou em Cuba, em 1948, sua própria companhia (a Ballet Alicia Alonso) que, a partir de 1959 (ano em que Fidel Castro, grande incentivar da dança, subiu ao poder), se transformou no Ballet Nacional de Cuba (BNC), até hoje considerada uma das mais importantes companhias de ballet do mundo.

Ela, que dançou até os 70 anos, hoje atua na direção artística do BNC. Para criar novas coreografias, ouve as músicas, cria os movimentos, repassa para as assistentes como se contasse um filme e, por meio do som dos movimentos, corrige os bailarinos. Prestes a completar 97 anos, ela não pensa em aposentaria. “Vou viver até os 200 anos”, afirma. “Espero ser lembrada como uma artista honesta com a sua arte e com a sua época e que amou a dança sobre todas as coisas”. E o será, com toda certeza 🙂

Crédito: Jorge Valiente

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