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September 2017

MENINOS NO BALLET

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MENINOS NO BALLET

Não é muito comum a gente ver homens fazendo ballet, não é mesmo? Mais difícil ainda é ver meninos dançando desde criança. Eu mesma nunca dei aula para nenhum menino de 3 ou 4 anos, faixa etária na qual as meninas costumam começar a dançar. Há um tempo, no entanto, eu tive uma aluna que vinha para as aulas acompanhada do seu irmãozinho, que ficava do lado de fora da sala olhando interessado.

Certa vez, eu o convidei para entrar e ele prontamente aceitou, gostou e começou a fazer as aulas junto da irmã. Ele nunca se matriculou e fazia as aulas descalço e com a roupinha com a qual vinha de casa mesmo. Mas, embora não fosse nada formalizado, era ótimo ter um menino na turma. Com o tempo, no entanto, ele não apareceu mais e a avó que o levava sempre às aulas me explicou que o pai o havia proibido de continuar dançando.

Essa é uma situação ainda hoje bastante comum. Muitos pais não incentivam seus filhos pequenos a fazerem ballet por acreditarem que a modalidade é apropriada apenas para meninas. Mas nem sempre foi assim. Você sabia que quando o ballet surgiu, lá no século XVI, apenas homens tinham permissão para dançar? O próprio rei da França, Luís XIV, era um grande bailarino e criou a Academia Real de Dança (mais tarde rebatizada de Ópera de Paris). Até o século XVII apenas homens podiam se profissionalizar no ballet e todos os papeis femininos eram encenados por bailarinos travestidos de mulher.

Só a partir de 1681 que as mulheres começaram a fazer parte do mundo do ballet, com a estreia de Mademoiselle Lafontaine nos palcos. Com o passar dos anos, a leveza na execução dos movimentos e a forte expressão corporal necessárias na dança passaram a ser associados exclusivamente à figura da mulher e criaram estereótipos que, por fugirem do conceito de masculinidade em vigor em nossa sociedade, contribuíram para o afastamento dos homens desse universo.

Apesar disso, muitos meninos driblam o preconceito e com 14 e 15 anos começam a fazer aulas de ballet por iniciativa própria – caso dos meus alunos. A maioria deles começa nessa faixa-etária, e, com muita força de vontade e dedicação, conseguem uma evolução técnica muito rápida que me deixa sempre impressionada! Um deles, por exemplo, acima dos 20 anos, começou no ballet há apenas dois anos e hoje já faz aulas com meninas que praticam a modalidade há mais de 10 anos.

É preciso lembrar que muito mais que movimentos precisos e delicados, o ballet é uma expressão artística que exige força, equilíbrio e flexibilidade e, nesse sentido, a figura masculina é tão fundamental quanto a feminina. O que seria do ballet mundial sem as brilhantes parcerias como a da Prima Ballerina Assoluta Margot Fonteyn com o bailarino Rudolf Nureyev? Ou sem o talento dos nossos maravilhosos brasileiros Marcelo Gomes, Thiago Soares e Ismael Ivo? Ou sem o brilhantismo técnico de Mikhail Baryshnikov?

Fico imaginando quantos talentos são desperdiçados por preconceito e falta de oportunidades e conhecimento a todo o momento. É importante revermos essas questões e entender que o ballet é uma arte para todos!

Conheça as 11 Prima Ballerina Assolutas

CONHEÇA AS 11 PRIMA BALLERINA ASSOLUTAS

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CONHEÇA AS 11 PRIMA BALLERINA ASSOLUTAS

Você já ouviu falar do termo Prima Ballerina Assoluta? Dentro de uma companhia de ballet, a principal bailarina é nomeada Prima Ballerina, mas algumas  se destacaram tanto em suas carreiras que conquistaram o posto de Prima Ballerina Assoluta. O título é tão único e especial que apenas 11 bailarinas receberam tal honraria em toda história. Nessa lista, vou contar um pouco mais para vocês sobre essas brilhantes bailarinas!

11. Anneli Alhanko

Conheça as 11 Prima Ballerina Assolutas

Com descendência finlandesa e nascida na Colômbia, Anneli Elizabeth Alhanko Skoglund se destacou e conquistou sua fama na Suécia durante sua passagem pelo ballet sueco. Foi a primeira bailarina a receber o título de “Dançarina da Corte” pelo rei Carl XVI Gustaf em 1990. Sua performance como princesa Odette em O Lago dos Cisnes é considerada uma das mais bonitas já feitas.
Foto: Jonas Ekströmer

10. Alessandra Ferri

Conheça as 11 Prima Ballerina Assolutas

A mais recente a entrar nessa lista, Alessandra Ferri conquistou o título em 1992. Estudou no The Scala Theatre, a mais famosa escola de ballet italiana. A bailarina conquistou a Ordem do Mérito da República Italiana, a maior honra que um cidadão italiano pode ganhar. Aposentou-se aos 44 anos, em 2007, do American Ballet Theatre (ABT). Mas, em 2016, retornou aos palcos para interpretar seu papel mais conhecido: Julieta.
Foto: Leslie Spatt

 9. Maya Plisetskaya

Conheça as 11 Prima Ballerina Assolutas

Maya Mikhaylovna Plisetskaya foi uma bailarina russa do Ballet Bolshoi. Teve uma infância trágica marcada pelo regime soviético stalinista, que executou seu pai e enviou sua mãe e irmão mais novo para um campo de trabalho. Maya, que foi criada por sua tia, juntou-se ao Bolshoi e fez sua estreia com apenas 11 anos. Com tempo e bastante dedicação, tornou-se solista e atingiu o posto de Prima Ballerina Assoluta. Ficou conhecida por levar coreografias modernas ao tradicional ballet soviético. Foi nomeada presidente do Ballet Imperial Russo, em 1996.
Foto: Richard Avedon

8. Mathilda Kschessinskaya

Conheça as 11 Prima Ballerina Assolutas

Nascida em 1872 e integrante do Ballet Imperial School da Rússia, Mathilda-Marie Feliksovna Kschessinskaya foi a segunda bailarina a receber esse título, porém sua nomeação foi recebido em meio à controvérsias. Pierina Legnani, única Prima Ballerina Assoluta até então, afirmava que Kschessinskaya não era digna de receber tal título e acreditava que ela só havia sido nomeada devido seu envolvimento com Tsar Nicholas II, da corte imperial russa. Mais tarde, já em Paris, ela treinou outras futuras Prima Ballerina Assolutas, como a magnífica Margot Fonteyn.

7. Galina Ulanova

Conheça as 11 Prima Ballerina Assolutas

É considerada uma das maiores bailarinas do século XX. Favorita do próprio Stalin, Galina se apresentou no Bolshoi Theatre durante 16 anos, incluindo o papel principal na estreia de Cinderella, de Serguei Prokofiev. Além de Prima Ballerina Assoluta, foi a única bailarina a receber o “Hero of Socialist Labour”, um importante título concedido pelo governo soviético aos artistas e personalidades que contribuíram com a economia e a cultura na Rússia. Foi uma inspiração para outras bailarinas, como Margot Fonteyn, e chegou a treinar Anneli Alhanko.
Foto: Acervo pessoal

6. Alicia Alonso

Conheça as 11 Prima Ballerina Assolutas

Única bailarina da América Central a fazer parte da lista, Alicia Alonso Martínez sofreu problemas de visão ao longo da carreira, o que demandou uma atenção especial de seus parceiros. Após operação para tentar recuperar (sem sucesso) sua visão, Alicia teve a ajuda do marido para aprender os passos de Giselle, que se tornou um dos maiores destaques de sua carreira, junto com sua versão do ballet Carmen. Em 1948, criou o Ballet Nacional de Cuba, que funciona até hoje.
Foto: The Scotsman Publications

5. Eva Evdokimova

Conheça as 11 Prima Ballerina Assolutas

“Tenho uma espécie de vida cigana”, dizia Eva Evdokimova. Filha de descendentes de búlgaros e norte-americanos, a bailarina nasceu na Suíça, passou algum tempo na Alemanha e estudou ballet em Londres, São Petersburgo e Copenhague. Eva acreditava que a passagem por diferentes escolas contribuíram para sua formação técnica, que unia a elegância do ballet russo, a vitalidade dos dinamarqueses e o brilho técnico do Royal Ballet de Londres.
Foto: Jean Pierre

4. Pierina Legnani

Conheça as 11 Prima Ballerina Assolutas

Primeira bailarina a ser nomeada Prima Ballerina Assoluta, a italiana Legnani tem um outro importante marco em sua carreira: foi a bailarina que conseguiu completar 32 fouettés en tournant (pirueta com perna esticada), movimento muito famoso na coreografia de O Lago dos Cisnes, pela primeira vez.

3. Phyllis Spira

Conheça as 11 Prima Ballerina Assolutas

Excepcional desde nova, a sul-africana Phyllis Spira era chamada por seus professores de ballet como “baby Markova”. Em 1984, recebeu o título de Prima Ballerina Assoluta da África do Sul. Dançou com a Cape Town City Ballet Company até uma lesão na noite de abertura do ballet Giselle, em 1988, quando foi forçada a se aposentar.
Foto: James de Villiers

2. Alicia Markova

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Lilian Alicia Marks nasceu em Londres em 1910 e começou a dançar por recomendações médicas. Aos 14 anos, foi convidada a ingressar no The Ballets Russe. Foi nessa época que seu nome foi trocado para Markova, que soava mais russo. Desde então, ela se tornou uma das maiores bailarinas que já existiram, fundou a The Rambert Dance Company e ainda se apresentou em renomadas companhias como English National Ballet, Royal Ballet e American Ballet Theatre (ABT).
Foto: Serge Lido

1. Margot Fonteyn

Conheça as 11 Prima Ballerina Assolutas

O topo da lista é ocupado por Margaret “Peggy” Hookham, que também mudou seu nome, em busca de uma sonoridade mais romântica, e conquistou a admiração de todo o mundo do ballet. A bailarina adaptou o sobrenome do seu avô brasileiro (Fontes) e ingressou no Royal Ballet, onde permaneceu por toda sua carreira. Aos 42 anos, quando muitos apostavam em sua aposentadoria, surpreendeu a todos ao formar a brilhante parceria com o bailarino russo Rudolf Nureyev, de 24 anos, com quem dançou até os seus 60 anos. Margot Fonteyn é considerada a maior Prima Ballerina Assoluta que o mundo já viu!
Foto: Anthony Crickmay

 

 

 

 

 

 

NDT2 TRAZ COREOGRAFIAS ICÔNICAS AO BRASIL

NDT2 TRAZ COREOGRAFIAS ICÔNICAS AO BRASIL

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NDT2 TRAZ COREOGRAFIAS ICÔNICAS AO BRASIL

Nederlands, uma das companhias mais renomadas do mundo, se apresenta no Brasil e terei a oportunidade de assistir esse espetáculo que impressiona pessoas de opiniões tão distintas do mundo da dança.

Referência há quase seis décadas em dança contemporânea, a companhia holandesa faz um trabalho único com os movimentos. Partindo dos princípios da dança moderna norte-americana, o grupo criou um estilo único que une influências de diversos coreógrafos, fazendo com que os seus bailarinos sejam muito mais versáteis e não se prendam em um único estilo ou uma forma de se movimentar. É importante destacar que a companhia teve, por quase 30 anos, o tcheco Jirí Kylián, considerado um mestre do movimento, como diretor artístico e coreógrafo residente.

O Nederlands Dans Theater 2 que se apresentará no Brasil é um segmento da companhia, que trabalha com jovens e excepcionais bailarinos que se destacam pelo cuidado com os mínimos detalhes. Atualmente com direção artística de Paul Lightfoot, a companhia se torna única e interessante por investir em outras áreas como artes visuais, elementos cenográficos, composição musical e técnicas de iluminação que transformam os espetáculos em verdadeiras performances que vão muito além de apenas uma apresentação de dança.

Com algumas das coreografias icônicas de seu repertório, a companhia chega ao país esse mês com uma pequena turnê. O grupo passa primeiro pelo Teatro Alfa, em São Paulo, nos dias 29 e 30 de setembro e 1o de outubro, onde apresentam as danças “I New Then”, “Sad Case” e “Cacti”. Depois apresentam-se dias 03 e 04 de outubro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com “I New Then”, “Mutual Comfort”, “Midnight Raga” e “Sad Case”. E finalizam no SESC Palladium, em Belo Horizonte, dia 07 de outubro, com “I New Then”, “Sad Case” e “Cacti”

Já assisti alguns vídeos do espetáculo “Cacti”, que faz parte do repertório que vem pro Brasil, e achei incrível. Estou ansiosa para assistir finalmente ao vivo essa e outras coreografias tão únicas do Nederlands Dans Theater 2. Quem estiver nas cidades por onde passarem a turnê, acho que vale dar uma conferida!

Foto: Rahi Rezvani

A GRAÇA E SUAVIDADE DE HEE SEO

A GRAÇA E SUAVIDADE DE HEE SEO

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A GRAÇA E SUAVIDADE DE HEE SEO

É muito difícil vermos rostos diferentes no ballet, né? Isso tem mudado progressivamente durante os anos, mas ainda são bailarinas caucasianas que dominam as grandes companhias de ballet pelo mundo a fora. Por isso gostaria de apresentar para vocês o trabalho da sul-coreana Hee Seo, bailarina principal do American Ballet Theatre (ABT).

Ela começou sem a menor pretensão a fazer aulas de ballet aos 11 anos, idade normalmente considerada avançada para quem deseja dançar profissionalmente. No entanto, ao participar de uma competição, foi convidada a estudar no prestigioso Sun-hwa Arts Middle School, onde ganhou uma bolsa. Seo conta que na época não fazia ideia de que se tornaria uma bailarina profissional, isso sequer era uma opção!

Aos 13 anos, ela ganhou mais um prêmio que a levou ao Kirov Academy of Ballet em Washington e a partir daí uma série de outras premiações acabaram em um convite, em 2005, para que ela integrasse o ABT Studio Company. Seo passou um ano como aprendiz, fazendo sua estreia na companhia no corpo de baile em 2006 e com uma ascensão meteórica, interpretou Julieta já em 2009. Em 2010, foi apontada como solista e na sequência, em 2012, foi promovida à bailarina principal.

Seo é a primeira bailarina coreana a se tornar bailarina principal nos 75 anos de existência da ABT e uma das três pessoas a percorrer todo o caminho na companhia, desde seu aprendizado. A bailarina conta que sua adaptação na companhia, no entanto, não foi tão simples. Lá, desde o começo é necessário ensaiar vários espetáculos de uma vez e é preciso demonstrar grande versatilidade e individualidade, demandas que foram pouco a pouco sendo superadas pela capacidade de adaptação de Seo, reconhecida por todos os seus coreógrafos.

Uma de suas qualidades mais marcantes é a leveza com a qual ela se movimenta, sua figura delicada trazendo ainda mais sutileza para suas performances. Abaixo deixo um vídeo do solo dela em “O Quebra-Nozes”, uma apresentação belíssima que divido com vocês!

BALLET-NA-INFÂNCIA-GANHOS-EMOCIONAIS

BALLET NA INFÂNCIA E SEUS GANHOS EMOCIONAIS

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BALLET NA INFÂNCIA E SEUS GANHOS EMOCIONAIS

Eu adoro dar aula de ballet para crianças por poder fazer parte desse processo de descoberta e fortalecimento e acredito que estar em contato com a arte desde o berço nos torna pessoas muito mais saudáveis e felizes!

A importância dos exercícios físicos desde a infância já é velha conhecida de todos nós, certo? Com a prática do ballet, por exemplo, as crianças melhoram a postura, ganham mais flexibilidade e resistência física. Traz inúmeros benefícios, claro, mas a prática da atividade entre crianças pode ajudar em ainda mais questões do que se imagina. Além de trabalhar os movimentos, o ballet também alia música, atuação e muita técnica, sendo extremamente favorável para questões cognitivas, sociais e psicológicas dos pequenos.

A prática do ballet exige disciplina, logo as crianças são beneficiadas com maior capacidade de concentração, coordenação motora e estímulo no desenvolvimento intelectual. Como é uma arte realizada em grupo, também há um incentivo para aumentar o círculo de amizades, melhorar a autoestima e encorajar as formas de expressão. Sempre cito o filósofo suíço Jean Piaget, um dos maiores teóricos do desenvolvimento infantil, que acreditava que a realidade das crianças é vivida e interpretada por meio das sensações físicas e não do pensamento; portanto, a prática do ballet pode inclusive ajudar os pequenos a ter mais segurança.

Desenvolvendo a sensibilidade, as crianças podem entrar em contato com seus próprios sentimentos de maneira mais simples, ajudando-as a superar a timidez e a socializar melhor. Para as mais agitadas, é uma boa forma de relaxar e liberar a adrenalina.

Reforço constantemente o quão significativa é a interação que tenho com as minhas alunas, sempre me preocupando com o bem-estar delas e suas saúdes emocionais. É importante criar vínculos e fazer de todas as aulas oportunidades para entrar em contato com nossas emoções!

the colon theatre ballet

A VERSATILIDADE DO COLON THEATER BALLET

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A VERSATILIDADE DO COLON THEATER BALLET

A história do ballet sempre está intimamente relacionada com a Europa, mas também temos nossas raízes latinas que acredito que devemos explorar. Quero falar hoje um pouco sobre o Colon Theater Ballet, companhia que fica em Buenos Aires, Argentina e que produz espetáculos grandiosos, visualmente impressionantes e com técnica impecável.

O Colon Theater foi criado em 1908, sendo a maior sala de concerto da América do Sul, mas somente em 1925 a companhia de ballet foi criada, tornando-se também a mais antiga da América do Sul. Antes mesmo da criação da companhia o teatro já recebia vários espetáculos europeus famosos; inclusive a última apresentação do incrível Vaslav Nijinsky aconteceu no Colon em 1911, onde apresentou Le Spectre de la Rose e Petrushka.

Entre as décadas de 1930 e 1940 a companhia passou a se desenvolver em larga escala, quando buscando refúgio temporário da guerra que acontecia na Europa, muitos bailarinos russos foram para a Argentina. Durante as décadas seguintes, a Colon Theater Ballet continuou a receber grandes nomes, como o emblemático Rudolph Nureyev, mas sofreu um grande revés em outubro de 1971: dez dos seus melhores bailarinos morreram em um acidente de avião enquanto viajavam para a cidade de Trelew, onde fariam uma apresentação.

A retomada aconteceu com nomes como Maximiliano Guerra, Paloma Herrera e Julio Bocca, que retornam à Argentina após temporadas no exterior e passam a focar nos jovens bailarinos argentinos em 1990.

O ballet argentino tem a seu favor uma intensa adaptabilidade, segundo Guerra: “Meu professor, Vasil Tupin, ensinava a técnica francesa, com vários pequenos saltos e batidas, e na escola eles ensinavam a técnica russa. Então, quando eu cheguei em Londres foi fácil para dançar Bournonville. E quando fui convidado ao Bolshoi, eu tinha a força e a massa muscular para dançar lentamente, da maneira que os russos fazem”.

Entre os bailarinos argentinos que alcançaram fama no exterior estão Olga Ferri, Esmeralda Agoglia, Antonio Truyol, Enrique Lommi, Vasil Tupin, Adela Adamova, Irina Borowska, Mercedes Serrano, Violeta Janeiro, José Zartmann, Liliana Belfiore, Iñaki Urlezaga e Luis Ortigoza, nomes que certamente aparecerão por aqui em algum momento.

Paloma Herrera, cuja carreira se deu como bailarina principal por 24 anos no American Ballet Theatre (ABT), aposentou-se em 2015, assumindo neste ano a direção artística do Colon. Abaixo vocês assistem um vídeo com trechos da montagem “O Lago dos Cisnes“, já com direção de Herrera. É incrível!

Foto: Maximo Parpagnoli

AS PINTURAS DE JONATHAN GREEN DANÇADAS

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AS PINTURAS DE JONATHAN GREEN DANÇADAS

Sempre falo como é incrível o poder da arte de se reinventar e com o ballet não é diferente! Estimulada, em primeiro momento, pela música, o ballet flerta também com o teatro e as artes visuais. São vários os exemplos de companhias que se inspiraram fortemente em pinturas para compôr suas coreografias, partindo desde os impressionistas chegando à Tarsila do Amaral, Jean-Michel Basquiat e Cândido Portinari.

Nessa linha, há o maravilhoso trabalho da Columbia City Ballet entitulado “Off The Wall Onto The Stage” (Da Parede Para o Palco), no qual as obras de Jonathan Green foram utilizadas como referência na criação, cenário, figurino e música. Green é um artista que trabalha principalmente com a representação da vida no sul dos Estados Unidos pela ótica dos descendentes africanos que lá residem.

O espetáculo traz projeções no palco de telas pintadas por Green e bailarinos vestidos com roupas que fazem alusões claras às obras; para a parte musical, a compositora Marlene Smalls foi convidada para dar ainda mais representatividade ao projeto. Aliás, todo o corpo de baile é composto por uma mistura bastante diversa de pessoas, com bailarinos negros, hispânicos e brancos integrando o trabalho, algo que considero super importante!

Dezoito telas foram utilizadas na criação da coreografia e o movimento representado nas obras foi crucial para que elas fossem escolhidas para fazer parte da montagem. Por exemplo, a obra “Sea Swing”, em que uma garota com um vibrante vestido amarelo se balança em frente ao mar virou a um balanço físico no palco, no qual a bailarina se balança por vários segundos até finalmente saltar e delicadamente começar sua coreografia. A maneira como as pinturas interagem com o cenário e se transformam na dança é extremamente orgânica e mostra bem a caminhada híbrida que o ballet está traçando.

“Off The Wall Onto The Stage” foi coreografado por William Starrett, diretor artístico e executivo da companhia, responsável pela montagem/criação de mais de 50 peças. O espetáculo estreou em 2005 e continua em cartaz, com apresentações realizadas esse ano e agendadas para 2018. Quem estiver com viagem marcada para os Estados Unidos ano que vem e deseja ver um espetáculo visual incrível super recomendo que procurem essa companhia!

Fotos: Divulgadas no facebook oficial da companhia

 

AS PINTURAS DE JONATHAN GREEN DANÇADAS

GRANDES BAILARINAS: ALESSANDRA FERRI

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GRANDES BAILARINAS: ALESSANDRA FERRI

Dançar não tem idade, certo? Escrevo aqui sempre sobre como podemos desafiar nossos limites e nos expressar com nossos corpos e a bailarina que apresento para vocês hoje representa exatamente isso! A italiana Alessandra Ferri tem 54 anos e continua atuante no mundo do ballet, embora com uma pequena parada no meio do caminho.

Ferri começou sua carreira no The Royal Ballet de Londres e foi promovida à primeira bailarina com apenas 19 anos, tornando-se a mais nova profissional a alcançar a façanha na companhia. A maior parte de sua trajetória, no entanto, acontece nos Estados Unidos onde ela consolidou sua carreira como primeira bailarina do American Ballet Theatre (ABT), permanecendo por mais de 20 anos.

Em 2007, Ferri anunciou sua aposentadoria dos palcos com o intuito de se dedicar à família, mas não conseguiu ficar distante muito tempo. Sua grande paixão e vocação é o palco e lentamente ela passou a ensaiar seu retorno. Fazendo algumas apresentações como artista convidada desde 2013, sua volta definitiva aconteceu em 2016, quando foi convocada pelo ABT a reprisar sua Julieta, papel marcante em toda a carreira da bailarina.

A apresentação foi um sucesso e Ferri, com 53 anos na época, falou um pouco sobre sua condição física em entrevistas: “Claro que existem limitações. Algumas delas são intransponíveis, mas outras são superáveis. Eu trabalho duro no meu corpo e não penso que tudo isso está garantido”. Vale lembrar que a carreira no mundo do ballet não costuma ser muito longa devido ao esforço exigido do corpo e as constantes contusões; normalmente as bailarinas se aposentam na faixa dos quarenta anos. Inclusive, no Paris Opera Ballet é mandatória a aposentadoria para todos os bailarinos da companhia aos 42 anos!

Para mim, o ballet além de exigir do físico, também tem a necessidade de uma grande força de vontade e uma mente disciplinada. “Se há alguma dificuldade com o seu corpo, você deve dizer ‘eu sou mais forte e vou ultrapassar a dor e a dificuldade trabalhando duro, se para isso eu devo ficar uma hora a mais, eu ficarei uma hora a mais'”, Ferri contou em outra entrevista.

Ela tem encarado o envelhecimento com delicadeza e entendido que apenas porque está mais velha não significa que deve desistir de sua grande vocação. Deixo vocês com uma citação super inspiradora dela e espero que estimule muitas pessoas a abraçarem suas idades e tudo de incrível que vem com elas. E por que não, também o ballet?

“É como ir para um novo apartamento e você diz ‘mas eu não quero deixar a minha casa, eu sou muito feliz aonde estou’, mas você tem que ir. E quando você deixa tudo para trás e não sabe para onde está indo é um pouco assustador. Mas agora estou desse outro lado e está tudo bem. Não é como quando eu tinha 20 e nem como quando eu tinha 30 anos; claro que não é. Eu estou curtindo onde estou agora e eu estou fazendo coisas incríveis.”

Foto: Rosalie O’Connor

O ENCONTRO ENTRE O BALLET E A TECNOLOGIA

O ENCONTRO ENTRE O BALLET E A TECNOLOGIA

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O ENCONTRO ENTRE O BALLET E A TECNOLOGIA

Hoje eu quero falar com vocês sobre Daniil Simkin, o maravilhoso e criativo bailarino do American Ballet Theatre (ABT), de NY. Natural da Rússia, mas criado desde os três anos na Alemanha, Simkin ingressou no universo do ballet aos seis anos influenciado pelos pais, os também bailarinos Dmitrij Simkin e Olga Aleksandrova. Ainda criança, fez suas primeiras apresentações nos palcos alemães ao lado do pai.  Ao contrário de muitos bailarinos profissionais, Simkin não frequentou uma escola de ballet tradicional e tinha aulas em casa com própria mãe – duas horas por dia, seis dias por semana.

As aulas com a mãe mesclavam aulas tradicionais de ballet clássico russo com técnicas de footwork e equilíbrio, advindas da escola francesa, e aulas de torneamento aprendidas por ela com algumas bailarinas cubanas. Para aprimorar suas habilidades e promover o seu contato com outros bailarinos, aos 12 anos ele ingressou em competições de ballet ao redor do mundo nas quais conquistou diversas medalhas de ouro.

Em 2006, se juntou ao ballet da Ópera de Viena, participando como solista e bailarino principal de obras clássicas, neoclássicas e contemporâneas da companhia. Dois anos depois, ingressou como solista no ABT e, em 2012, se tornou primeiro bailarino, protagonizando espetáculos como “Dom Quixote”, “Coppélia”, “O Quebra-Nozes”, entre outros. Em 2009, organizou com o pai o seu primeiro projeto solo “Intensio”, encenado em Atenas, na Grécia.

Famoso por seus saltos e piruetas precisas e velozes, Simkin é reconhecido por sua técnica impecável (seus ensaios diários no ABT duram em torno de oito horas) e considerado um dos bailarinos contemporâneos de maior destaque. Geek confesso, é bastante ativo nas redes sociais, especialmente no Youtube onde os vídeos de suas performances já conquistaram mais de 2,5 milhões de acessos e o fizeram ganhar fãs ao redor do mundo.

Criativo, ele defende a importância de se modernizar a maneira como o ballet se aproxima do público, especialmente por meio do uso das redes sociais e da tecnologia. Na semana que vem, ele estreará no Museu Guggenheim o espetáculo “Falls the Shadows”, sua mais recente criação autoral. Com a proposta de promover um diálogo entre música e dança, a obra contará com projeções, sensores de movimento em tempo real e figurinos assinados pela Dior. Estou bastante ansiosa para ver o resultado!

Foto: NYC Dance Project