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O CÃO SEM PLUMAS

By August 28, 2017Journal

“Eu escolho como dançar o poema. Através das palavras. Palavra vai se transformar em perna, em braço. Você traduz para construir esse movimento. Que pé é esse que vai bater na terra? Como respirar essa poesia?”, disse Deborah Colker, em entrevista ao G1.

O espetáculo “O Cão sem Plumas” é diferente de tudo que ela já fez ao longo da carreira.

É muito impactante, pesado, escuro, rasteiro, relevante e reflexivo. Ele traz um monte de questões para pensarmos, abrindo um horizonte distinto do que ela já fez e do que estamos acostumados a assistir.

É interessante a interação da grande tela no fundo do palco, essa mistura do cinema com os bailarinos no tablado dançando. Deborah Colker quebra a quarta parede, deixando a cortina aberta desde a entrada do público, e o espetáculo começa só com a projeção, sem bailarinos em cena. Não temos aquela surpresa da abertura da cortina em cada cena. E temos que lidar com isso, no melhor sentido da palavra. É uma costura de cenas que não segue padrões.

Nesse palco aberto, vemos as caixas que fazem parte do cenário, os bailarinos nas coxias, as estruturas do teatro em sua beleza e funcionalidade. A dança está na projeção, nos corpos do bailarinos, na luz e também entre os elementos estéticos e funcionais do teatro.

Os movimentos são fortes, precisos. São corpos com lama, sem gênero ou sexo definido. Mulheres e homens crus.

Esses corpos preenchem o palco, em uma composição coreográfica cheia de impacto. É muito interessante quando imagens, palco e bailarinos se mesclam. Em um dado momento (sem spoiler!) entram bailarinas na sapatilha de ponta, com esses figurinos de lama… tão denso, cheio de significados… lindo de ver.

É um espetáculo que todos devem assistir! É diferente do que nós estamos acostumados , é uma realidade expressada por meio da dança, da música, da força. Saindo do espetáculo, depois de pouco mais de uma hora, olhei ao redor e reparei que não era só eu que estava um pouco paralisada, começando a digerir o que tinha visto e sentido.

Tive que segurar a ansiedade quando comprei meu ingresso em julho. Valeu a espera!
 
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Foto: Cafi/Divulgação

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