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August 2017

ISMAEL IVO, A DANÇA COMO IDENTIDADE

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ISMAEL IVO, A DANÇA COMO IDENTIDADE

Quando falamos em inovação e singularidade na dança contemporânea, é impossível não mencionar o nome de Ismael Ivo. Bailarino e coreógrafo com uma carreira consagrada de mais de 30 anos no exterior, o brasileiro é famoso por ter criado uma linguagem artística única, visceral e inconfundível, que mistura elementos da dança afro com o ballet clássico. “Eu encontrei na dança uma forma de me expressar enquanto pessoa e, principalmente, como um bailarino negro”, afirma.

A paixão de Ismael pelo ballet começou ainda na infância. Natural de São Paulo e morador da periferia, ele costumava tomar de dois a três ônibus para ensaiar no centro da cidade e sonhava um dia integrar o corpo de baile do Teatro Municipal.  “Percebi que não é todo dia que um negro faz o papel do príncipe em “O Lago dos Cisnes”, por isso resolvi criar um repertório próprio”, conta. “Acreditar pra mim é uma obsessão”.

E foi justamente a sua linguagem própria que o fez ganhar o mundo. Primeiro os EUA, a partir de uma bolsa de estudos na companhia de dança do aclamado coreógrafo norte-americano Alvin Ailey, em Nova York, e depois a Europa, onde atuou como bailarino, coreógrafo e gestor de grandes festivais. Na Alemanha, foi diretor do ballet do Teatro Nacional Alemão de Weimar (sendo o primeiro estrangeiro e negro no posto); na Áustria, fundou o “ImPulsTanz”, um dos maiores festivais de dança contemporânea da Europa, e na Itália, atuou por sete anos na direção do Festival Internacional de Dança Contemporânea da Bienal de Veneza.

Em sua trajetória profissional, trabalhou com grandes nomes do ballet mundial, como o coreógrafo tcheco Jiri Kylian, a deusa alemã Pina Bausch (ela chegou a dirigir um solo exclusivo para ele), o norte-americano William Forsythe, grande reformador do ballet clássico, e a brasileira Márcia Haydée, um grande nome do ballet clássico com quem ele fez belíssimos duos.

Neste ano, retornou ao Brasil para um importante desafio: assumir a direção do Balé da Cidade de São Paulo do Theatro Municipal (se tornando o primeiro negro a assumir a posição, em quase 50 anos de história da instituição) e, de quebra, realizar um sonho de infância.

Seu primeiro espetáculo à frente da companhia, “Risco”, explorou lindamente a relação dos bailarinos com grafites, um dos símbolos mais controversos da cidade. Além disso, levou os bailarinos para espaços públicos, como bibliotecas e teatros municipais, no intuito de promover um contato mais direto do público com o universo do ballet. “O Balé da Cidade, para mim, é um laboratório vivo, em que não só se pesquisa – porque a arte é uma pesquisa constante -, mas que depois apresenta uma reflexão, e isso deu para a companhia um novo início”, explica.

Aos 62 anos, com a criação de 75 ballets no currículo e uma bem-sucedida carreira, Ismael segue com a mesma inquietação de quando era um menino da periferia paulistana. “Ainda estou me descobrindo, tendo novas ideias. Revejo uma cidade que também está nesse momento se discutindo, se questionando, uma grande chance pra cultura e pra dança. Uma chance de transformação”, afirma.

Generoso, ele busca estimular os bailarinos a criarem a sua própria linguagem e a utilizarem o ballet como expressão dos seus sentimentos e, dessa forma, promoverem uma troca de emoções com o público. “Criar uma ponte onde as pessoas possam descobrir ou redescobrir coisas dentro delas mesmas. Isso tudo é o que me impulsiona por completo e é aí que a arte se faz: como um documento do tempo. Se permaneço ou me desfaço, não sei. Eu sei que a dança é tudo, tem sangue eterno, asa ritmada e que um dia estarei mudo, mais nada”.

Ismael, querido, você será eterno para nós e para o ballet. Sou fã!

Foto: Christa Niels

 

 

O CÃO SEM PLUMAS

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“Eu escolho como dançar o poema. Através das palavras. Palavra vai se transformar em perna, em braço. Você traduz para construir esse movimento. Que pé é esse que vai bater na terra? Como respirar essa poesia?”, disse Deborah Colker, em entrevista ao G1.

O espetáculo “O Cão sem Plumas” é diferente de tudo que ela já fez ao longo da carreira.

É muito impactante, pesado, escuro, rasteiro, relevante e reflexivo. Ele traz um monte de questões para pensarmos, abrindo um horizonte distinto do que ela já fez e do que estamos acostumados a assistir.

É interessante a interação da grande tela no fundo do palco, essa mistura do cinema com os bailarinos no tablado dançando. Deborah Colker quebra a quarta parede, deixando a cortina aberta desde a entrada do público, e o espetáculo começa só com a projeção, sem bailarinos em cena. Não temos aquela surpresa da abertura da cortina em cada cena. E temos que lidar com isso, no melhor sentido da palavra. É uma costura de cenas que não segue padrões.

Nesse palco aberto, vemos as caixas que fazem parte do cenário, os bailarinos nas coxias, as estruturas do teatro em sua beleza e funcionalidade. A dança está na projeção, nos corpos do bailarinos, na luz e também entre os elementos estéticos e funcionais do teatro.

Os movimentos são fortes, precisos. São corpos com lama, sem gênero ou sexo definido. Mulheres e homens crus.

Esses corpos preenchem o palco, em uma composição coreográfica cheia de impacto. É muito interessante quando imagens, palco e bailarinos se mesclam. Em um dado momento (sem spoiler!) entram bailarinas na sapatilha de ponta, com esses figurinos de lama… tão denso, cheio de significados… lindo de ver.

É um espetáculo que todos devem assistir! É diferente do que nós estamos acostumados , é uma realidade expressada por meio da dança, da música, da força. Saindo do espetáculo, depois de pouco mais de uma hora, olhei ao redor e reparei que não era só eu que estava um pouco paralisada, começando a digerir o que tinha visto e sentido.

Tive que segurar a ansiedade quando comprei meu ingresso em julho. Valeu a espera!
 
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Foto: Cafi/Divulgação

MAIS ARTE, MODA E BALLET

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Daniil Simkin, Dior e ABT

Estreia hoje, dia 04 de setembro, “Falls The Show“, nova montagem de Daniil Simkin do American Ballet Theatre com produção de Works & Process, no Guggenheim Museum de NY.

Tudo acontece na rotunda do museu, com o público em pé nas rampas que cercam o local. Os movimentos dos bailarinos são capturados em tempo real e projetados em 3D junto com a coreografia. Construção de linguagem e ressignificação de espaços. Mais cool impossível.

“Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia”. Essa citação do autor de ficção científica Arthur C. Clarke está entre os favoritos de Daniil Simkin. O dançarino principal do ABT, desenvolveu um gênero de coreografia reestruturado pela tecnologia, com efeito mágico.

Dias 4 e 5 de setembro, Works & Process, a série de artes cênicas no Guggenheim, apresentará a abordagem do “Falls the Shadow”, uma performance específica para a icônica rotunda de Frank Lloyd Wright. O público assistirá das rampas, enquanto Simkin e a solista da ABT, Cassandra Trenary, juntamente com a bailarina de Hubbard Street Ana Lopez e a dançarina Brett Conway, atuam no piso da rotunda. Seus movimentos gerarão imagens de vídeo que se espalham por eles e ao redor deles. “A rotunda torna-se quase como um bailarino em si”, diz Simkin. “Ela se torna um ambiente vivo e respiratório – uma parte integrante do espetáculo”.

Como Simkin observa, a dança é normalmente vista “através da quarta parede em um teatro de palco italiano, de caixa preta”. A coreografia dessa peça, tal como concebida por Alejandro Cerrudo, deve ser vista através do que Simkin chama a “quinta parede, de cima”, em um teatro de arena, como chamamos aqui no Brasil. Ele explica que o piso da rotunda será coberto com luz infravermelha; Os dançarinos no chão criarão imagens infravermelhas 2-D que serão retiradas por uma câmera com um filtro infravermelho. A imagem é processada por um computador e a saída, gerada sessenta vezes por segundo, criará os efeitos visuais que, como Simkin diz, “engolfam” o público.

Os figurinos são de Maria Grazia Chiuri, estilista da Dior. Ela foi anfitriã do baile de gala anual do museu. Em entrevista ao “WWD“, ela conta que criou os figurinos a partir da arquitetura do local, respeitando as necessidades funcionais dos bailarinos. Nos croquis divulgados, dá pra ver uma prévia dos macacões com elásticos da Dior nas laterais. Haviam especificações técnicas que os figurinos tinham de cumprir, dada a natureza incomum do projeto. “Nem todos os materiais são os mesmos no infravermelho”, explica Simkin. Assim, o tecido teve que ser selecionado com o objetivo de sua aparência nessas circunstâncias especiais.

Ainda segundo Simkin, “A projeção de vídeo cria outra camada para dançar, assim como um lindo vestido cria outra camada para dançar.” 

“Falls the Shadow” é um espetáculo ambicioso e inovador, “O Guggenheim é muito o que eu gosto – um museu contemporâneo”, diz o coreógrafo. Mais do que isso, ele está interessado na forma como os dançarinos e o público responderão ao edifício. “Sua mente funciona de maneira diferente quando você está nesse espaço. Mesmo se você fechar os olhos. . . Há todos esses elementos diferentes que o afetam. Tem uma certa energia e poder aqui “.

Um espetáculo cheio de maravilhosos diálogos de criadores. Eu adoro!

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Fonte: artigo de Caitlin Dover para o site do Museu Guggenheim

Foto: divulgação site ite do Museu Guggenheim

DE TIRAR O FÔLEGO

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NYC BALLET NEW SEASON 17/18

Não me canso de falar do NYC Ballet. A companhia de Nova York, fundada em 1948, está sempre nos surpreendendo com espetáculos lindos de ver e com sua técnica impecável.

Nesse vídeo incrível temos a  ideia do que podemos esperar da temporada 2017 /2018, que começa em setembro.

Essa temporada é especial, porque celebrará o 100º aniversário de Jerome Robbins, co-fundador da companhia e uma lenda da Broadway. A programação comemorativa contará com a apresentação de 19 obras do emblemático coreógrafo e um tributo criado por Justin Peck, coreógrafo residente do NYC Ballet.

Dentre os destaques da Temporada de Outono, que vai de 19 de setembro a 15 de outubro, estão a despedida da primeira bailarina Rebecca Krohn (que passará a integrar a equipe artística da companhia, como Ballet Master); a apresentação dos clássicos “O Lago dos Cisnes” e “Romeu e Julieta” (produções de Martins) e “Coppélia”, de Alexandra Danilova e George Balanchine, fundador da companhia. E ainda as performances anuais de férias de “O Quebra Nozes”, de George Balanchine – que são emocionantes e mostram a força da NYC Ballet.

Um dos mais tradicionais eventos do NYC Ballet, o “Fall Fashion Gala”, programado para o dia 28 de setembro, contará com apresentação do espetáculo “The Chairman Dances”, de Peter Martins, um ballet clássico com trajes e gestos líricos chineses tradicionais – lindo de viver!

Já a Temporada de Inverno, que vai de 23 de janeiro a 4 de março, será inteiramente dedicada a George Balanchine, co-fundador da companhia. A programação será composta por versões de ballet clássicos coreografados por ele com músicas de compositores renomados, como Mozart (“Divertimento nº 15”) e o russo Igor Stravinsky (em “Apollo”, o mais antigo ballet criado por Balanchine).

Para encerrar a temporada de apresentações, a Spring Season, que vai de 24 de abril a 3 de junho, terá como destaque o espetáculo “Robbins 100”, criado e dirigido por Justin Peck, que celebra a maravilhosa obra do renomado coreógrafo e as músicas do compositor norte-americano Leonard Bernstein, criador de clássicos como “Fancy Free” e “West Side Story Suite”.

No total, serão 21 semanas de performances e 61 ballets de 15 coreógrafos diferentes. Uma programação criativa, diversificada e instigante de encher os olhos e o coração dos amantes do ballet. É um programa obrigatório para quem tiver a sorte de estar em NY nessa temporada! Super indico.

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PLAYLIST- BALLET CLÁSSICO INTERMEDIÁRIO 2

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Fiz uma playlist no Spotify com músicas que eu gosto, para compartilhar com minhas alunas e com todo mundo que me pede dicas para usar em suas aulas.

As músicas tem relação com a estrutura da aula, então montei esta playlist baseada na estrutura de uma aula de ballet que eu dou normalmente.
Na primeira música temos um aquecimento que é uma música mais lenta que cada professor dá do jeito que acha interessante para preparar o corpo. Depois, começo com um aquecimento de frente para a barra, um battement tendu. Como a aula está no começo, a próxima música é um outro battement tendu um pouco mais lento, para alinhar o corpo, para achar o eixo do corpo, para logo depois começarmos os exercícios em crescente.

Depois do battement tendu na primeira posição, faço uma sequência de plié e battement tendu em quinta posição. Não coloquei uma música para cada passo, tentei colocar duas opções que podem ser escolhidas para usar apenas uma só, na qual faço um ou dois exercícios de battement tendu.

Depois, para o battement jeté coloquei uma opção de música de Pacheval. Os passos rond jambe par terre, rond jambe on l’air, battement fondu, battement frappé e pettit battement são para treinar as baterias do centro.
Coloquei também algumas opçōes de adagio na barra ou grand battement para alongar antes de ir para o centro.

No centro fiz uma estrutura de battement tendu, gran battement e adagio; e algumas opções de valsa para treinar piruetas.

Para os allegros tanto o menor como o allegro um, escolhi uma música com este título. Na Allegro II, médios saltos e depois as grandes valsas sāo opçōes que gosto bastante para dar aquele brilho nos saltos.
Temos algumas sequências de giros na diagonal, músicas para treinar fueté, e por fim duas opçōes de música de reverance para agradecer a aula que foi dada.

Espero que vocês aproveitem tanto quanto eu!

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QUANDO O BALLET ENCONTRA A FOTOGRAFIA

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“Eu acho que o corpo humano é destinado ao movimento.” – Andrej Uspenski

 

O amor do bailarino Andrej Uspenski pela fotografia começou quando ele era um menino, observando seu pai, que era um fotógrafo amador, em seu quarto escuro. “Ele não poderia me deixar de fora, era um universo que me fascinava”, lembra ele.

Durante 10 anos, Andrej Uspenski fez parte do Royal Ballet, a primeira e mais importante companhia de ballet do Reino Unido. Nascido em São Petersburgo, ele estudou na Academia de Baladas da Vaganova, Palucca School, Dresden e na Escola de Balé de Estado de Berlim. Em 1998, ele ganhou o segundo prêmio no Rieti International Ballet Competition, e no ano seguinte ganhou o segundo prêmio no Yalta International.
Como bailarino profissional, ele nunca abandonou seu olhar de fotógrafo, e sempre foi visto nas salas de ensaio ou nos balcões e cochias da Royal Opera House de Covent Garden fotografando seus colegas.

Estando na posição única de ter um olho de fotógrafo e bailarino, e com acesso sem paralelo aos espaços de ensaio e bastidores, Andrej passou a compilar uma incrível coleção de fotografias, que foram reunidas em diversos livros. Ele foi membro da Royal Ballet até 2015, quando se aposentou dos palcos e passou a se dedicar em tempo integral à fotografia. “Eu adoro dançar e quis continuar o maior tempo possível, embora sempre ciente de que não conseguiria estar no palco como bailarino para sempre”, disse ele em entrevista na época de sua primeira exposição. Andrej tornou-se então o fotógrafo oficial da Royal Ballet.

Ele publicou livros de fotografia como “Dancers: Behind the Scenes with The Royal Ballet” (2013); “Natalia Osipova: Tornando-se um cisne” (2013), e “Steven McRae: Dancer in the Fast Lane” (2014). Seu trabalho já foi exibido em galerias pelo mundo, como a Old Truman Brewery. Ele segue fotografando grandes nomes do ballet mundial, como Steven McRae, Thiago Soares e Iana Salenko.

 

                                    
“Os bailarinos, obviamente, me conhecem e confiam em mim, então eles estão relaxados e confortáveis quanto os fotógrafos, o que faz uma imagem melhor. Eu adoro capturar esses momentos de ballet”, disse ele. As imagens dão uma visão única da vida de um bailarino e transmitem a óbvia paixão de Andrej pela fotografia. Sua coleção de retratos utiliza luz e sombra para explorar a dinâmica da forma humana.
 

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Fotos: © Andrej Uspenski.

Salvar

QUANDO TUDO FOR PESO, LEVE-ME

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MUSEU DA CASA BRASILEIRA + BALÉ DA CIDADE

É maravilhoso poder ver a dança passear pela cidade, interagindo com os espaços públicos. A arte passeando, rompendo limites e padrões. Neste domingo, dia 20, o Museu da Casa Brasileira abre as portas para o Balé da Cidade de São Paulo, que dançará trechos coreográficos do projeto Asas para Voar.
Neste trabalho os próprios bailarinos da companhia criaram experimentos cênicos utilizando toda sua versatilidade e potência artística. Atualmente dirigido por Ismael Ivo, o Balé da Cidade é uma das grandes referências do mundo da dança aqui no Brasil.
Depois de 32 anos fora do Brasil, o bailarino Ismael Ivo voltou para assumir a direção do Balé da Cidade, o corpo de 34 bailarinos do Theatro Municipal. Ele estava em Viena, na curadoria do ImPulzTanz, um dos mais importantes festivais de dança contemporânea do mundo. Ele é um grande bailarino, e quero falar mais dele, que tem uma carreira admirável.

Mas voltando a falar de domingo, o nome da performance é “Quando tudo for peso, Leve-me”, criação do bailarino Manuel Gomes. O espetáculo acontece no solar de estilo neoclássico que abriga o Museu da Casa Brasileira, na avenida Faria Lima, na zona oeste de São Paulo, e é gratuito.
A apresentação faz parte da Jornada do Patrimônio 2017, evento que busca sensibilizar a população paulistana para seu patrimônio.
Quero muito ver!

Serviço:
Quando tudo for peso, Leve-me
Balé da Cidade de São Paulo
Dia, 20 de agosto de 2017
Domingo, às 15h00
Museu da Casa Brasileira
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705 – Jardim Paulistano
Ingresso: Gratuito
Fonte: Jornada do Patrimônio

foto: divulgação

 

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THIAGO SOARES

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O primeiro bailarino

Primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres desde 2005, uma das mais tradicionais companhias do mundo, Thiago Soares é um exemplo de força, agilidade e expressividade no ballet mundial. Natural de São Gonçalo, mas criado no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, ele teve o primeiro contato com o universo da dança aos 12 anos. Em suas primeiras aulas de
streetdance chamou a atenção da professora, que vendo nele um grande potencial, o incentivou a fazer ballet clássico.

Talentoso e bastante aplicado, aos 17 anos ele conquistou a Medalha de prata no Concurso Internacional de Dança de Paris e foi convidado a ingressar no corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no qual interpretou os papéis principais em clássicos como “O Quebra-Nozes”, “Don Quixote”, “O Lago dos Cisnes” e também em espetáculos criados especialmente para ele, como o “Tome Valsa”, de Tindaro Silvano.

Em 2001, participou do Concurso Internacional de Ballet do Teatro Bolshoi e, competindo com 270 bailarinos, conquistou a medalha de ouro e foi convidado para fazer parte do quadro de aprendizes do Kirov Ballet, se tornando o segundo estrangeiro (e o único brasileiro até hoje) a alcançar tamanho prestígio ao longo dos cem anos de existência da aclamada companhia – o cubano Manuel Carreño foi o primeiro.

No ano seguinte, ingressou no Royal Ballet de Londres, após passar pelo crivo da exigente Monica Mason, diretora artística da companhia britânica, e em 2005 já integrava o time de primeiros bailarinos. No mesmo ano, recebeu o prêmio de Artista Revelação Masculina de Dança Clássica, o Oscar da categoria, oferecido pelo Critics´Circle. Em sua trajetória no Royal,
interpretou os papeis principais em “Onegin”, “O Lago dos Cisnes”, “Romeu & Julieta”, “Anastácia”, “Coppélia” e nas produções “Les Saisons”, “The Seven Deadly Sins” e “Sweet Violets and Raven Girl”, criadas especialmente para ele.

Em 2012, se apresentou na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres, representando o Brasil, e, no ano seguinte, foi premiado com o Special International Press da Embaixada do Brasil em Londres, por sua contribuição às artes. Ano passado, protagonizou com o bailarino e coreógrafo Danilo D’Álma o espetáculo “Roots”, que promoveu um diálogo entre o ballet clássico e a dança de rua. Em 2018, sua linda história de sucesso será contada em uma cinebiografia dirigida por Marcos Schechtman. Um verdadeiro orgulho nacional

Giselle

Thiago esteve em São Paulo este mês, onde dançou o clássico romântico Giselle, com música de Adolphe Adam e libreto de Théophile Gautier e Vernoy de Saint-Georges. E apresenta nessa semana o espetáculo Roots no Paraná. Para o projeto, cuja última apresentação no Brasil foi no início do ano, Thiago combina recursos do balé clássico com a dança contemporânea e o hip hop, fazendo uma espécie de síntese de sua carreira. O bailarino afirma que o espetáculo ainda não chegou a seu destino, pois quer rodar com ele por outras cidades do país e no exterior.

Do palco para as telas

Apesar de ter apenas 36 anos, a trajetória de Thiago Soares será vertida para as telas em dois filmes. Um tratamento ficcional de sua vida, que será dirigido por Marcos Schechtman, está em pré-produção e deve começar a ser filmado no ano que vem. Antes disso, ainda neste semestre, deve estrear Primeiro Bailarino, documentário que Felipe e Alice Braga produziram para a HBO e que mostra a dia-a-dia de Thiago.

A Bravo! bateu um papo com o bailarino, que contou como é sua rotina de trabalho em Londres, adiantou o que apresenta em São Paulo e deu sua opinião sobre a crise na cultura. Leia a seguir:

Você poderia descrever como é o seu dia de ensaios em Londres?

O meu dia, em Londres, começa por volta das oito e meia da manhã, que é o horário que eu acordo, tomo café da manhã, me preparo, tomo um banho e às nove e meia, eu ingresso no teatro. Faço aulas de pilates, um pouco de alongamento (dependendo do dia), até umas dez e meia. Às dez e meia, eu entro na aula de balé e saio às onze e quarenta e cinco. Depois disso, tenho uma pausa de quinze minutos e ao meio dia começo os meus ensaios, que normalmente vão até às cinco da tarde, com uma pausa no meio desse período de quarenta minutos. Onde eu paro, como alguma coisa, respondo e-mails, posto uma foto, falo alguma coisa de trabalho, dou alguma entrevista e sigo. Normalmente, de duas a três vezes por semana, termino às cinco e tenho uma pausa até às sete e meia, quando ou eu tenho um espetáculo ou eu tenho um evento, uma exposição, ou uma palestra, alguma coisa que eu tenha que atender. Esse é basicamente o meu dia a dia e eu geralmente vou dormir por volta de meia noite e meia/uma hora da manhã.

Para a produção do documentário, você foi acompanhado por uma equipe? Como foi essa experiência?

A produção do Los Bragas e da HBO me acompanharam pelo período inteiro do documentário. No começo foi um pouco estranho, porque eu ainda estava me adaptando a essa coisa de andar com câmeras e fios atrás de você. Às vezes pode até ser um pouco desconfortável, mas o Felipe Braga, que é o diretor do filme, é uma pessoa tão querida e tão artístico que ele entendia que quanto menos eu percebesse que eles estavam ali, melhor. Rapidamente a nossa confiança foi estabelecida e eu parei de perceber que eles estavam ali. Virou um processo bastante prazeroso.

O que você e Amanda Gomes estão preparando para apresentar no Brasil? Como estabeleceram essa parceria?

A Amanda Gomes, ela é uma brasileira que vem de uma história de luta também. Ela é uma menina que eu vi pequena e hoje se tornou uma bailarina profissional, uma bailarina que representa o balé do Kasan, muito estabelecida e agora está se estabelecendo também na Europa, na América, através das redes sociais. Essa geração de hoje vive essa coisa da interação através das redes sociais, então os prêmios e as vitórias dela, mesmo que sejam na Rússia, distante, a gente também faz parte, porque a gente vê de imediato e eu estou muito feliz de depois de tantos anos, uma brasileira ir lá e conseguir uma segunda medalha de prata pra gente. É uma coisa pra gente se sentir honrado.

Eu sei o que isso representa, porque eu, em 2001, ganhei a nossa primeira medalha de ouro e eu vivi o que ela está vivendo e eu sei o quão crucial isso é para a carreira de alguém. Eu sempre tive o desejo de quem sabe a gente poder se encontrar e dançar e fazer alguma coisa, então a convidei antes da competição do Bolshoi, na verdade. Quando a convidei ela estava no processo de ir para o concurso, então foi maravilhoso, porque ela ganhou e a gente já estava agendado para dançar juntos, então eu achei que seria um motivo de celebração. A gente até agora só se falou por Skype, telefone, Facetime e nós temos uma admiração mútua e eu tenho certeza que vamos nos divertir muito no espetáculo Giselle, em São Paulo.

Você diz que o espetáculo Roots ainda não chegou a seu destino. Sente que ele ainda está em processo de formulação?

Ele ainda não passou por todas as cidades que a gente tem vontade de passar. Ele é um espetáculo que é muito peculiar. Ele não é visado em fazer dinheiro e rodar desesperadamente. O motivo pelo qual nós sentamos e resolvemos fazer esse espetáculo foi um motivo extremamente artístico. Era um espetáculo com o qual a gente queria dizer algo, ele tinha essa mensagem: do Thiago no passado, do Thiago hoje e essa parceria de dois homens no palco também, essa comunicação masculina era essa a história.

Eu queria um veículo para homens e um veículo que falasse da minha trajetória. E trabalhar com o Ugo Alexandre, que foi o meu mentor e a pessoa com quem comecei a dançar, e eventualmente o Renatinho Cruz também veio e fizemos um time incrível. Um projeto extremamente artístico que, óbvio, envolve alguns gastos com viagens, enfim, uma série de coisas que qualquer espetáculo que está em cartaz precisa para poder funcionar, mas o foco dele não era isso. O foco dele era: vamos procurar o teatro certo pra fazer? Com o produtor certo, no momento certo? Como que a gente está se sentindo de corpo? Vamos fazer agora?

Então é um espetáculo que é programado assim, de acordo com o que a gente sente de fazer, com o intuito puramente artístico, puramente sendo artístico nessa decisão. Eu tenho ciência de que isso é um luxo, mas eu trabalhei muito pra estar no momento em que estou e eu queria realmente acertar com o Roots, então eu sei que eu precisava fazer esse sistema para fazer com que o show funcionasse. A gente quer levar pra fora do Brasil, a gente também quer rodar ainda algumas cidades no Brasil que ainda não fomos e ano que vem temos perspectivas de levar para fora do Brasil. Esse, eventualmente, será o destino de satisfação do Roots, passar por lugares em que a gente ainda não passou.

Vários equipamentos de cultura têm sofrido cortes e demissões no Brasil. Com a dança não é diferente. Na sua opinião, qual lugar ocupa a dança na cultura brasileira atualmente? Há pouco investimento e formação?

Acho que no Brasil a cultura ainda não é vista como prioridade, assim como a educação e a saúde. A cultura, as artes não podem virar um veículo de esquemas e de exploração aos editais, leis de incentivo e ao governo. Em um momento de crise, o painel que toma as decisões de destino de verbas à cultura deve agir com muita sabedoria, tentando manter vivo o seguimento dos projetos. Mas sabendo e lembrando que estamos passando um momento de séria crise.

A dança no Brasil evoluiu muito. Temos grandes talentos e coreógrafos que poderiam transitar no circuito internacional mas, por falta de apoio contínuo e direção, que é fundamental, não conseguem alcançar sua capacidade máxima. Por exemplo, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que é a casa teatral mais importante do país, está sofrendo muito. Óbvio que nossa crise é grande e abrange vários corpos do Estado fundamentais, mas nesse caso é indigno que um ponto de referência da cultura do país não tenha tido um plano de sobrevivência ou uma estratégia de manter seus corpos artísticos e funcionários em tempos de crise.

A crise é grande e a cultura é uma parte dela. Mas o papel de um teatro como o Municipal nesse momento é fundamental em continuar educando, ensinando e atraindo a população com suas obras, óperas, balés e concertos. A arte muda vidas, nos suaviza e nos faz melhores seres humanos.

Sua trajetória — a de um jovem de São Gonçalo que se torna primeiro bailarino do Royal Ballet — tem algo de fabular, próxima das que se contam em palcos ao redor do mundo. Ela, no entanto, parece ser uma exceção no país. O que falta para que mais bailarinos tenham a mesma oportunidade?

Acho que minha história é sobre alguém que quis com todas as forças vencer com seu talento e que teve excelentes professores. E acho que com mais apoio contínuo para a arte e com bons guias, poderíamos gerar muito mais histórias, porque talentos não podemos questionar que temos para dar e vender no Brasil.

#giovanapuoli #dance #ballet #bailarina #aulas #balletvideos #thiagosoares #royalballet
#london #maledancer #britishballet #revistabravo

Foto: Andrej Uspensky

Texto original na íntegra no site da Revista Bravo

HARD BALLET

HARD BALLET

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HARD BALLET

O Hard Ballet é uma aula de ballet diferente, que vai ajudar na sua preparação para dançar. Não quer dizer que seja difícil, ou só pra quem tem nível avançado. O que o Hard Ballet precisa é de muita concentração, empenho e dedicação durante a aula.
Então, se você nunca fez ballet, ou está parada há bastante tempo, não precisa se preocupar! Se você tem resistência para dançar, pode (e deve!) experimentar.
Na minha aula de Hard Ballet, proponho exercícios, passos e sequências do ballet clássico combinados de uma maneira específica, para trabalhar e ativar o corpo. Assim você se prepara para dançar com impacto e precisão.
Além de trabalhar o corpo e a mente, minha aula de Hard Ballet tem sequências na barra e no centro, em pé e sentada. Assim trabalhamos o corpo como um todo, melhorando a força, a flexibilidade, o equilíbrio, a noção espacial e a postura.

Um ótimo exemplo sobre a aula é a sequência no centro, sentada, com os joelhos estendidos, a coluna ereta, o abdômen contraído e os dedos médios levemente apoiados ao lado do corpo. Fazemos flex e ponta (flexão e extensão do pé) com as pernas no chão para trabalhar a força nos pés e prepará-lo para a sapatilha de ponta e para os pequenos saltos do ballet. Repetimos a sequência com as pernas alternadamente fora do chão (elevadas a 45 graus), com as coxas contraídas, preparando também a musculatura que utilizamos nos médios saltos.
Ou seja: dançamos, nos desenvolvemos e trabalhamos o corpo em unidade. É incrível e eficiente!
Bora bailarinas?