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O ONEGIN E A DESPEDIDA DE DIANA VISHNEVA

By June 28, 2017Journal
O ONEGIN E A DESPEDIDA DE DIANA VISHNEVA

O ONEGIN E A DESPEDIDA DE DIANA VISHNEVA

Não tenho palavras para descrever a experiência única, incrível, inesquecível, marcante, de sonhar acordada, que foi assistir ao Onegin com o ABT, em Nova York. Eu já havia assistido ao espetáculo na segunda-feira (19) com os bailarinos Marcelo Gomes, Diana Vishneva e Isabela Boylston. Na ocasião, fui para curtir, observar os detalhes, ser uma expectadora comum mesmo. Mas eu resolvi assistir novamente a apresentação na sexta-feira (23) por ser o dia da despedida da Diana, primeira bailarina do ABT, que decidiu se aposentar dos palcos.

O que vi foi algo tão maravilhoso que me faltam palavras para expressar. O ballet do Onegin não é tão clássico e tradicional como O Lago dos Cisnes, a começar pelo figurino (sempre com saias abaixo do joelho, diferente das roupas de O Lago dos Cisnes, cuja base é o tutu preto). É um ballet que exige, além de técnica, uma interpretação fenomenal e mais sensibilidade e requinte artístico, por ser mais maduro. E isso eu vi de sobra na apresentação de sexta-feira, com o Marcelo Gomes e a Diana Vishneva nos papéis principais.

O Marcelo interpretou perfeitamente o papel dele, mantendo durante toda a apresentação um ar de descaso e de quem pouco se importa com o mundo ao seu redor, características marcantes do personagem Onegin. E é muito interessante acompanhar a transformação dele no último ato, momento no qual o personagem se dá conta do que fez com a própria vida e, principalmente, da mulher que perdeu. Essa mudança de um ser austero para alguém totalmente entregue ao amor é lindo de ver!

E a Tatyana, personagem da Diana, também passa por uma transformação: começa como uma menina ingênua e sonhadora e se torna uma mulher forte e destemida. A interpretação dela, principalmente na sexta-feira, foi emocionante. Eu, particularmente, chorei muito, porque realmente consegui senti-la alcançando a plateia, tocando cada pessoa que estava ali presente por meio de sua interpretação e técnica apuradíssimas e limpíssimas. Uma verdadeira artista.

No final da apresentação, confetes caíram do teto e todos os bailarinos, incluindo os principais, entregaram flores e a aplaudiram. A plateia também jogou flores no palco e a ovacionou de pé, durante meia hora. Foi emocionante participar desse momento, algo que certamente vai ficar para sempre registrado na minha memória.

Como disse, não tenho palavras para descrever como mexeu comigo assistir a interpretação de um ballet tão maduro e difícil.
Apesar de não ter um final de conto de fadas, Onegin transmite uma mensagem de amor muito bonita com sua história. Pra mim, ficou a lição de que devemos sempre buscar o amor e jamais desprezá-lo.

 

Foto: instagram Diana Vishneva

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